terça-feira, 8 de janeiro de 2013

O dízimo e sua função social - Parte 3




Os versículos de Malaquias 3:8-12

"Roubará o homem a Deus? Todavia vós me roubais, e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas alçadas. Vós sois amaldiçoados com a maldição; porque a mim me roubais, sim, vós, esta nação toda. Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim, diz o Senhor dos exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós tal bênção, que dela vos advenha a maior abastança.
Também por amor de vós reprovarei o devorador, e ele não destruirá os frutos da vossa terra; nem a vossa vide no campo lançará o seu fruto antes do tempo, diz o Senhor dos exércitos.
E todas as nações vos chamarão bem-aventurados; porque vós sereis uma terra deleitosa, diz o Senhor dos exércitos." ( Bíblia Sagrada - Tradução de Almeida corrigida e revisada Fiel)

"Pode um homem roubar de Deus? Contudo vocês estão me roubando. E ainda perguntam: ‘Como é que te roubamos? ’ Nos dízimos e nas ofertas.
Malaquias 3:8
"Pode um homem roubar de Deus? Contudo vocês estão me roubando. E ainda perguntam: ‘Como é que te roubamos? ’ Nos dízimos e nas ofertas.
Malaquias 3:8
"Pode um homem roubar de Deus? Contudo vocês estão me roubando. E ainda perguntam: ‘Como é que te roubamos? ’ Nos dízimos e nas ofertas.

Vocês estão debaixo de grande maldição porque estão me roubando; a nação toda está me roubando.

Tragam o dízimo todo ao depósito do templo, para que haja alimento em minha casa. Ponham-me à prova", diz o Senhor dos Exércitos, "e vejam se não vou abrir as comportas dos céus e derramar sobre vocês tantas bênçãos que nem terão onde guardá-las.

Impedirei que pragas devorem suas colheitas, e as videiras nos campos não perderão o seu fruto", diz o Senhor dos Exércitos.

"Então todas as nações os chamarão felizes, porque a terra de vocês será maravilhosa", diz o Senhor dos Exércitos.
Malaquias 3:8-12
"Pode um homem roubar de Deus? Contudo vocês estão me roubando. E ainda perguntam: ‘Como é que te roubamos? ’ Nos dízimos e nas ofertas.

Vocês estão debaixo de grande maldição porque estão me roubando; a nação toda está me roubando.

Tragam o dízimo todo ao depósito do templo, para que haja alimento em minha casa. Ponham-me à prova", diz o Senhor dos Exércitos, "e vejam se não vou abrir as comportas dos céus e derramar sobre vocês tantas bênçãos que nem terão onde guardá-las.

Impedirei que pragas devorem suas colheitas, e as videiras nos campos não perderão o seu fruto", diz o Senhor dos Exércitos.

"Então todas as nações os chamarão felizes, porque a terra de vocês será maravilhosa", diz o Senhor dos Exércitos.
Malaquias 3:8-12


Os versículos que serão trabalhados são os mais usados nas igrejas evangélicas na hora do dízimo e das ofertas. O tom das palavras de Malaquias são bem rudes e incisivas no tocante as questões dos dízimos e das ofertas. No entanto, é preciso compreender o uso desse tom por parte do profeta.

O livro de Malaquias é situado na época de Neemias e da reconstrução do templo pelos israelitas .
As palavras de Malaquias começam no versículo 8, chamando aos israelitas de ladrões porque estavam roubando a Deus nos dízimos e nas ofertas e por isso estavam sobre grande maldição. O profeta então conclama a todos para trazerem todos os dízimos à casa do Senhor para que houvesse mantimento (grifo meu)  na casa de Deus e incita o povo a fazer prova de Deus e Ele os abençoaria, impediria que as pragas chegassem até o povo e as nações os considerariam felizes.

Pode-se notar que todo o livro de Malaquias é de uma entonação mais veemente. A meu ver, esta entoação se deve ao fato da geral mudança pela qual passa o povo de Israel e pela total falta de referência que o povo estava passando neste momento de sua história.
O povo acaba de voltar do exílio e começa a reconstruir uma cidade completamente destruída. A maioria dos referenciais de Israel tinha se perdido ao saírem de sua terra. Outros valores foram adquiridos por eles, outra cultura novamente os influenciou. Os pilares, estão frouxos, a referência, é, portanto, necessária.
E para se estabelecer os pilares é preciso que as bases estejam bem firmes, e para isso, as regras precisam ser claras, não podem deixar dúvidas. Em Malaquias 2:16, Deus afirma pela boca do profeta “Eu odeio o divórcio”. Se consultarmos a lei mosaica vê-se que o divórcio era permitido na lei. Em nenhuma parte da lei, a questão do divórcio é colocada de forma tão incisiva quanto o é em Malaquias.
Esta necessidade de definir as coisas, portanto se insere num contexto de uma mudança radical e, portanto significativa do povo de Israel.

Ao falar da questão do dízimo o que Malaquias deixa bem claro é que todos os dízimos deveriam ser trazidos a casa do Senhor (Vê-se que aqui já existe a figura do templo envolvida como um lugar ao qual devem ser trazidos os dízimos. Este deveria ser entregue no local determinado por Deus, que poderia variar, uma vez que o povo estava no deserto indo para a Terra Prometida. Embora o templo já estivesse construído, a instrução do Senhor foi dada para o povo levar o dízimo ao local que Deus o determinasse), para que houvesse mantimento na casa de Deus.

Os dízimos em Malaquias visavam o mantimento no templo, que mais uma vez recai na figura daqueles que não têm parte na terra.A figura do templo é de extrema importância para entender em que o povo estava roubando a Deus. Não trazendo os dízimos e as ofertas, aqueles que dependiam do templo estavam sendo roubados da parte que cabia a eles. A admoestação de Jesus cabe aqui “O que vocês deixaram de fazer a um destes pequeninos a mim deixaram de fazê-lo” (Mt 25:45), neste sentido, o povo estava roubando de Deus, uma vez que privavam os que não tinham parte na terra de receber aquilo que Deus tinha instituído que seria a parte deles.

Assim, ao roubar o pequenino o homem roubava de Deus. Não trazendo o dízimo à casa de Deus, aqueles que deles dependiam passavam necessidade. O que está em jogo em Malaquias é o princípio da igualdade social.

Isso fica bem claro quando o profeta afirma que o dízimo deveria ser trazido para que houvesse mantimento.
É a figura da pessoa que está em jogo no texto de Malaquias não é a instituição “templo”. O mantimento é para aqueles que não têm parte na terra. O órfão, a viúva, o levita e o estrangeiro precisavam desse mantimento e estavam sendo roubados pelo povo.

Deus promete uma recompensa (uma vez que a doutrina da retribuição é a teologia vigente, o profeta não pode falar além daquilo que ele mesmo experimenta) para aqueles que trouxessem o dízimo. Deus impediria que as pragas chegassem às suas colheitas e as videiras nos campos, não perderiam os frutos, e as nações os chamariam felizes porque a terra seria maravilhosa.

Por que a terra seria maravilhosa? Porque a justiça estaria sendo revelada a partir da obediência ao princípio da igualdade social através do dízimo.

Analisando os versículos de Malaquias, nota-se que a questão implícita novamente recai sobre àqueles que não têm parte na terra. Só quando as rendas fossem justamente distribuídas é que as nações os iriam reconhecer como felizes. [...]


No próximo texto terminamos nossa reflexão sobre a questão do dízimo abordando como a igreja institucional se apropria desta questão, várias vezes de forma perversa.