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terça-feira, 9 de outubro de 2012

Psicanálise e Religião. Pequenos pensamentos esparsos






No princípio era o verbo, e o verbo estava com Deus, e o verbo era Deus. Todas as coisas foram feitas por ele e sem ele nada do que foi feito se fez. João 1.1-3

Qualquer mundo que queiramos criar pressuporá o uso das palavras que serão significativas em nossa arquitetura. Estas mesmas palavras serão usadas por nós como tijolos da construção deste mundo no qual fiaremos todas as nossas certezas e incertezas, onde buscaremos abrigos quando os dias forem maus, onde gostaremos de estar quando a paz nos faltar. Tudo isto construído por palavras.

No princípio era o verbo.

Nas profundezas de nós mesmos, lá no princípio, tudo é sem forma e vazio,  como se fosse um extremo caos onde a palavra ainda não tem acesso, onde não há tempo, mas que de alguma forma há o que realmente somos. Pulsões e mais pulsões querendo de alguma forma vir a tona, mas sem exito porque o que há é apenas caos. Apenas quando o verbo é dito tudo se transforma. O outro traz o verbo, ele se instaura em nós, ilumina, ordena, canaliza este turbilhão de pulsões. Com o verbo dito, algo se transformou e só então começamos a nos construir. Este verbo criador passa então a fazer parte de nós. Tudo será feito a partir dele, e sem ele nada do que for feito se fará.

Toda nossa busca posterior será na tentativa de decifrar este verbo presente em nós. Através das palavras passamos a revelar para nós o que antes não sabíamos, desvelamos as sendas obscuras que habitam em nós e que na maioria das vezes nem sabemos que estão lá. Do inconsciente ao consciente na tentativa de reviver o verbo que passou a fazer carne em nós. Esta tentativa quando bem executada nos traz ao conhecimento de nós mesmos e a partir daí podemos caminhar em nova direção.

Tudo criado e construído pela palavra. o verbo se instaura  e depois passamos a vida buscando palavras para tentar dizer o verbo encarnado em nós, várias vezes incompreendido, várias vezes obscurecido e não raras vezes escondido por nós mesmos.

Não seria esta a tarefa principal da psicanálise em seu trabalho de escuta entre analista e analisando? Este trazer a tona os segredos obscuros do homem de forma que ele veja quem ou o que ele realmente é e a partir daí consiga seguir em frente lidando com o sofrimento e o desamparo que o constitui? Nao seria a psicanálise a procura do verbo entendido como algo a ser buscado através de um método científico? Uma tentativa de cura pela palavra?

 "Diga-me uma só palavra e eu ficarei curado", talvez seja este o sonho de todo analisando com seu analista que geralmente não tem esta palavra de forma a precisar que o analisando fale, diga o que lhe vier a mente para então o analista tentar montar o quebra-cabeça provocado pela livre associação.
É óbvia aqui a presença da fé. Fé do analisando para com o analista, sem fé é impossível haver análise, pois o analisando precisa acreditar que o analista o entende, o acolhe, para então falar. Só a partir da fé começa a análise, começa-se a busca psicanalítica pelo verbo encarnado.

Dito dessa forma, fica claro que tanto a psicanálise quanto a religião buscam cada um a seu modo curar o homem de seu desamparo e buscar fornecer a ele um auxílio para lidar com o sofrimento. A religião para tal cura propõe um sentido último, um transcendente para o homem, a psicanálise propõe um mergulhar no inconsciente para que a partir do próprio conhecimento o homem lide melhor com seu desamparo estrutural, sem transcendente, sem um sentido último, sem promessas. Até que ponto a religião e a psicanálise podem se ajudar para livrar o homem do seu desamparo é algo a ser estudado com muito afinco e acredito que a dicotomia proposta por vários psicanalistas e vários religiosos não seja sadia. Não se deve pensar em uma dinâmica de "ou psicanálise, ou religião", mas vejo que o que deve ser buscado é uma proposta mais integradora e quanto a isso vários esforços tem sido feitos e é motivo de felicidade poder fazer parte deste diálogo tão profícuo.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Processo descritivo - 29 anos





Fabiano Veliq
1,70 m
                                   29 anos
67 kg
                                                    homem
casado
                                          dois irmaos
                           graduado em filosofia


mestre em filosofia da religiao

especialista em teologia sistematica

filósofo
                                                                                  
                                                                                      protestante
                 atleticano
                                                                                                                       vários contatos
                                         

                                              poucos amigos
                                         branco
                                                                                                             olhos claros
                             cabelos lisos
                                                                                  

                                                                    gosto musical variado
apreciador de diálogos

sarcástico
                                                                                                              estudioso
                         ironico
                                                                                                                                    pouco comunicativo
                                             crítico

               
                                    leitor de filosofia/teologia/psicanalise/fisica/poesia



admirador de estrelas, buracos negros, galáxias

                                simpatizante das coisas simples, mas nao das simplórias

questionador 
                                                                                     polemico
                apreciador do silencio
                                                                                                         indiferente com várias coisas
leitor da bíblia

                               admirador da religiao independente da forma como se manifesta

feliz na maior parte do tempo
                                                                                       chato em várias ocasioes

trabalhador
                                                  
                                            

um homem comum










quinta-feira, 8 de março de 2012

Sobre 08 de Março - Dia internacional da Mulher



É claro que hoje no dia 08/03 as mulheres devam ser parabenizadas pelo seu dia, afinal é uma questao de "direito adquirido". No entanto, é sempre bom lembrar que apenas em uma cultura extremamente machista há esta possibilidade de reservar "um dia"para lembrar e tentar compensar todo o descaso que se há com elas neste tipo de sociedade. A dinamica social acaba por criar meios paleativos de "homenagear" quem é esquecida quase todos os dias pelos mesmos meios que hoje criam tal dinamica social. Enfim, Parabéns pelo dia das Mulheres, mas nao esquecamos que todos os dias devem ser dia das mulheres, dia da igualdade de gënero, dia da igualdade de oportunidades, dia da valorizacao da mulher, dia da nao-vulgarizacao da mulher, dia de ve-la nao como "objeto sexual" (dadas as inúmeras propagandas que vemos hoje em dia nesse sentido, tais como cervejas, cigarros, roupas, etc), só assim, acredito que poderemos felicitar as mulheres todos os dias e nao apenas um dia no ano.

A dinâmica evidenciada no parágrafo acima se mostra tão perversa a ponto de transformar toda a comemoração em algo meramente comercial, e se o princípio regulador será o comércio, nada melhor que transformar o "objeto homenageado" como mercadoria, que é geralmente o que é feito. Percebe-se dessa forma a completa degradação tanto do valor da comemoração quanto do próprio mecanismo social.
Neste sentido, tudo pode ser transformado em mera mercadoria de consumo. Esta apropriação tanto social quando midiática foi muito bem ilustrada por Marx e vários outros depois dele, é algo que até hoje merece nosso questionamento.

A dinamica relacional também se mostra deturpada nesta relacão criada pelos meios de comunicação. Em uma sociedade em grande medida narcísica, o outro enquanto alguém diferente de mim tende a ser visto como mera projeção minha. A dinamica do Eu-Tu tão bem ilustrada por Feuerbach perde lugar para a relação Eu-Isso tão bem ilustrada por Martin Buber. Neste dia 08 de março todas estas relações aparecem de forma muito escancarada e apenas quem não tem olhos para ver que não veem.

Feuerbach muito bem nos mostrou e nesta linha também seguiu Buber que o Tu sempre se coloca ao Eu como limite. Na presença do Tu eu me vejo como ser finito, como ser incompleto e ao mesmo tempo como um ser-diferente-do-outro. O Tu portanto se mostra como necessário para me ver como indivíduo. Se não houvesse o Tu, todas os outros seriam como que "iguais" a mim e eu mesmo não me diferenciaria de ninguém. Por isso que a relação Eu-Tu se mostra como paradigma da relação do indivíduo com o mundo.

A relação Eu-Isso evidenciada por Martin Bubber evidencia que ao estabelecer a relação com o Isso não há um envolvimento de caráter pessoal. O "Isso" é apenas um objeto para mim e dessa forma toda relação se pauta apenas na necessidade imediata com determinado objeto. Ele é algo a ser apenas "estudado", com o qual eu não me relaciono humanamente, mas apenas como objeto de conhecimento, uma relação onde o caráter humano, o caráter de encontro se perdeu.

A Mulher, homenageada hoje, tida como o Tu essencial, da qual todos os outros homens dependem é vista no resto do ano como um "Isso", como mero troféu por parte da mídia, como enfeites nos programas de auditórios. Há algo que se perde nessa dinamica, e é exatamente o caráter personalíssimo do indivíduo, e neste caso específico, da mulher.

Diante dessa degradação, o Tu sendo transformado em um Isso não há como esperar uma relação diferente da comercial em dias de comemoração como pretendem fazer hoje. E esta dinamica voltará a acontecer no dia das mães, dos pais, natal, etc..

Muito poderia ser dito, mostrar como que esta crise da identidade carente de um Tu influencia em nossos relacionamentos líquidos de hoje, para usar a expressão do Zygmunt Baumann, mas por hora fiquemos por aqui...

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Brainstorm 2006






Encontrei este texto no meu email e vi que não tinha publicado tal texto. Não sei porque, mas reli e achei que ainda fazia sentido... O texto é de 2006, por isso achei bastante interessante, embora não lembre o contexto, nem a quem me refiro. Talvez por isso ele fique ainda mais interessante.


O telefone tocou !!! ah como eu gostaria que tivesse sido vc ao telefone e não um cara perguntando sobre data de habilitação !!!!
De uma certa forma eu sabia que não era vc. Algo lá no fundo me dizia isto, mas a esperança de que fosse ainda batia. Atendi o telefone e realmente não era vc quem ligava. c'est la vie !!!

Acho que é importante passarmos dias como estes, dias onde tudo o que vc quer é apenas alguém para conversar e compartilhar coisas do dia.... nada mais.

São dias assim que nos faz crescer, amadurecer, e perceber que apesar de tudo é bom ainda estar vivo. Como já dizia o eclesiastes: no dia da alegria, se alegre nele, mas quando vier o dia de tribulação, lembre que deus fez tanto um quanto o outro.

Ah se eu conseguisse expressar o quanto que eu sinto sua falta hoje, e não só hoje, mas todo dia que eu não te vejo...

As vezes as coisas mais simples, ficam tão complicadas... Hoje por exemplo, era simplesmente uma conversa que eu queria, coisas que se faz todos os dias... mas hoje, nem gtalk, messenger, globo chat, telefone, nada !!!! nestas horas é de se questionar a tal globalização onde todos estão juntos e vc não tem ninguém para conversar. a aldeia global dos mudos !!!

Pesquisas já constataram isso que estou passando hoje, em frente a um computador digitando o que eu gostaria de estar conversando com alguém. O e-mail no entanto, me ouve enquanto escrevo, mas ele também não pode me responder... que pena !! nem tudo é perfeito, ah se ele pudesse falar.. me responder, conversar comigo... dizer que se importa...

Infelizmente ou felizmente nem sempre as coisas são como achamos que seria.

Me ocorre um pensamento : fale com Deus, converse com ele.

Realmente é uma boa alternativa, mas hoje prefiriria conversar com Deus nas pessoas, obras de suas mãos. Conversar com a sua expressão mais genuína. a saber: pessoas.

Pelo menos posso escrever. A dor as vezes se vai depois de uma noite de sono, as vezes não, o choro pode durar uma noite inteira, mas a alegria vem ao amanhecer. isso é confortante.

Tantos planos tantos projetos, todos para sermos felizes, ou fazer o outro feliz.Amar, este é o sentido, se não de tudo, pelo menos de muita coisa.

Seria tão bom se as palavras conseguissem realmente expressar os pensamentos ! Isso seria muito confortante, agora provavelmente eu estaria bem melhor, mas que abismo há entre o pensamento e a palavra ! O problema da significação !!!

Ironias a parte, se houver um amanhã que ele seja um belo dia, do contrário, vivamos o hoje e aproveitemos tudo o que ele nos propõe, tanto a tristeza, quanto a alegria !!!
Já nos diria alguém que não lembro quem agora: "uma hora neste mundo, vale mais do que toda a eternidade no mundo que virá."

domingo, 15 de janeiro de 2012

Quando o amor lhe bater a porta



Quando o amor lhe bater a porta, nao arrume desculpas para nao deixá-lo entrar. Abra as portas, de-lhe lugar, pois verás que a companhia dele fará com que seus dias sejam melhores.

Nao queira que ele vá embora rapidamente, nao o apresse, deixe que fique, que tome residencia, crie morada, seja um hóspede constante. Assim que se tornarem íntimos e olhares para trás, verás que a melhor coisa que fizeste foi te-lo como amigo, foi se fazer íntimo dele, foi ter se aberto a ele.

Quando o amor lhe bater a porta nao se prenda a coisas que passarao rapidamente, tente apreender o que realmente ele lhe traz, as oportnidades que ele lhe apresenta. Perceba que na simplicidade dos gestos muita coisa pode ser dita e um ouvido atento estará pronto para ouvir...

Quando o amor lhe bater a porta, o receba de coracao aberto, sem ressalvas, sem temores, sem expectativas alucinantes, afinal, as vezes ele fará com que todas as expectativas anteriores sejam deixadas de lado em nome da simplicidade que ele lhe apresenta.

"Eis que estou a porta e bato, se ouvires a minha voz, e abrires a porta, entrarei em sua casa, cearei com ele e ele comigo" Ap. 3:20 - Eis o convite que o amor nos faz. Deixe-o entrar, comam juntos, se tornem amigos, e verás que depois, nunca mais quererá que ele se vá.

sábado, 31 de dezembro de 2011

Feliz ano novo !



Nietzsche já nos falava há algum tempo atrás do "Eterno retorno do mesmo". Uma idéia bastante interessante muito assimilada desde tempos imemoriais por diversas religiões orientais.

Idéia esta que envolve a existencia de um universo eterno, que não teria um início, nem teria fim, mas seria cíclico. (um retorno aos primeiros pré-socráticos para os quais esta idéia é central)
A idéia de um universo eterno que depois da hipótese do Big Bang ficou tão desacreditada começa a ganhar força novamente dentro do cenário físico com diversos experimentos sendo feitos para tentar mostrar diversas falhas do modelo do Big Bang.
Uma espécie de choque em algumas correntes cristãs que suam até hoje para tentarem conciliar a "existencia do Big Bang com a existencia da criação", afinal, "Deus poderia ter criado tudo a partir do Big Bang" dizem alguns mais liberais.

No entanto, a idéia de um "início" para todas as coisas acaba partindo de um pressuposto de causa não causada, isto é, todas as coisas devem ser causadas por outra, e se assim for, é necessária (e aqui dizemos logicamente) que haja uma causa não causada de todas elas. Uma das 4 causas de Aristóteles que assimilamos tão bem sem nem mesmo saber que a idéia remonta ao estagirita.

Esta idéia de causa não causada foi assimilada pelo cristianismo principalmente por São Tomás de Aquino que definiu tal causa à pessoa de Deus. O primeiro motor aristotélico, se transforma em Deus criador de todas as coisas. A ciclicidade do universo se transforma em linearidade. As coisas antes eternas, precisam de um começo, e assim teorias como o Big Bang tem seu pressuposto fundamentado.

O "eterno retorno" que antes era a "teoria" mais aceita, passa a ser algo completamente marginal para a sociedade ocidental, mas ela permanece sendo defendida por alguns. Com o declínio da religião na época do renascimento, novas formas de ver o mundo vem à tona. A revolução científica do Século XVII dá ao homem novas formas de ver o mundo, para além da física aristotélica e permite a formulação de novas teorias que não mais pautassem na linearidade do estagirita.

Giordano Bruno foi queimado por propor a existencia de mútliplos universos, Galileu teve que se retratar perante a igreja por conta das novas descobertas que iam contra a metafísica aristotélica aceita até o momento... Estas idéias, mesmo que incipientes possibilitam uma espécie de "renascimento" de uma nova forma de ver o mundo.

Após a filosofia de Hegel, sabemos que há um questionamento muito forte sobre Deus. O ateísmo de Feuerbach aparece como explicação "final" para a "crítica da religião" como nos diria Marx. O materialismo ganha força novamente, a explicação das coisas não mais precisam passar por Deus, e ele não precisa existir para que nossas explicações façam sentido. Pode-se (e deve-se) explicar as coisas sem Deus, afinal, a crítica o eliminou das "coisas que podem ser conhecidas". Tendo retornado ao materialismo a idéia de "eterno retorno" aparece de forma muito mais tentadora que a idéia linear baseada em um início inteligente. O materialismo aleatório de Althusser acaba por remeter novamente a Epicuro e a idéia de Clínamem. Um retorno àquilo que era tão caro aos gregos.

Na pós-modernidade, Nietzsche exarceba esta posição tomando a idéia de eterno retorno um ponto alto de sua filosofia. Mesmo que Heidegger tenha visto em Nietzsche um último "defensor" de uma metafísica, podemos ver como que a idéia de eterno retorno do mesmo se vincula a uma visão mais materialista que propriamente "metafísica". (Claro que se fôssemos entrar nesta discussão, o post ficaria enorme).

Mas onde queremos chegar com esta "revisão" na história da filosofia sobre circularidade ou linearidade?

Acredito que para o último dia do ano, a reflexão é bastante importante, afinal, podemos encarar o novo ano como por um viés de "eterno retorno do mesmo" ou em uma espécie de "linearidade".

Para os que veem da primeira forma, o ano novo significa o início de um novo ciclo, uma nova oportunidade para realizar aquilo que ainda não se realizou no ano que passou. Morte e ressurreição. Finda-se o velho, renasce o novo. A esperança que aparece a cada último dia do ano. Sempre há aqueles que veem o eterno retorno como forma de desalento, como mesmice, como indício de que "nada vai mudar", apenas os desespernaçosos são capazes de assimilar a coisa desta forma. O eterno retorno não remete ao tédio, mas sim à esperança.

Para quem ver o ano novo como linearidade, acaba tendo a idéia de que a cada dia que passa estamos mais próximos do fim, mais próximos de "cumprirmos" nosso papel no mundo, e há ainda os que acreditam que o fim terreno levará a uma vida eterna, longe da linearidade, um início sem fim, uma imortalidade.

O ano novo acaba por nos remeter a esta dinamica tão cara a filosofia, tão cara a nós enquanto humanos, mas infelizmente "esquecida" pela dinamica da sociedade atual.

Muitas coisas poderiam ser ditas sobre isto, vários detalhes da história da filosofia caberia aqui, mas se fôssemos fazer isto, teríamos que escrever um livro para mostrar como que a idéia de linearidade e ciclicidade se entrelaçam na história do pensamento ocidental. Talvez este seja um bom projeto para levar a cabo, embora várias coisas já tenham sido escritas sobre o tema, inclusive uma obra muito interessante sobre isto seria o livro do Koyré "Do mundo fechado ao universo infinito". O intuito desta reflexão é apenas nos fazer refletir sobre a forma como vemos o mundo, como vemos a vida para que a partir disso, possamos ser humanos melhores...

Que este texto sirva de reflexão para este novo ano que se inicia...

sábado, 3 de dezembro de 2011

Sobre Liquidez




Pensando e conversando outro dia sobre as relações afetivas na pós-modernidade, chegamos a afirmar que a própria dinamica afetiva se encontra muito influenciada pelas dinamicas do capital.
Coisas simples que fazemos ou falamos acabam por refletir a "vacuidade" dos nossos relacionamentos que atualmente por qualquer motivo se "desmancham no ar".

Pelo que conversávamos, parece que a própria dinamica do acúmulo é visto nas relações interpessoais.
Várias vezes ouvimos pessoas contando "quantas" ou "quantos" pegaram numa festa ou numa saída. Em uma sociedade regida pelas regras do capitalismo até mesmo os valores e a humanidade do homem são pevertidos pela dinamica do acúmulo. Talvez daí a "descartabilidade" dos nossos relacionamentos tão bem tipificadas na idéia do "pegar alguém". Se a lógica regente é a do acúmulo, quanto mais melhor, logo, quanto mais relacionamentos vazios conseguir durante o ano, melhor, o que não se pode é ficar para trás enquanto todos tem alguém.

A própria idéia do "pegar alguém" já me parece estranha uma vez que a meu ver desumaniza o outro que é transformado apenas em objeto para um prazer imediato, que de vez em quando dura alguns meses, mas não passará disso. A idéia de "pegar alguém" acaba por remeter a ausencia de compromisso, a recusa de laços mais fortes. Prática esta que já deveríamos estar acostumados numa sociedade tão hedonista como a nossa.

Mesmo assim, tal dinamica ainda me parece estranha. Enquanto "se está pegando alguém" a idéia de um compromisso com o outro se insere apenas em um plano estritamente imediato que dura apenas enquanto ambos estão "juntos" (diga-se de passagem, acabo tendendo a acreditar que ambos não estão juntos no sentido strictu da palavra, apenas estão ali no mesmo ambiente, mas falta a cumplicidade, falta o diálogo , falta o acordo que permita que ambos andem e caminhem juntos como bem nos referiu certo boiadeiro nos tempos proféticos). A falta de um interesse em um relacionamento de fato pode ser encarado sob vários aspectos, quer psicológicos, sociais, filosóficos e com certeza este texto não daria conta de transitar por tantas variantes.
Constato um incômodo. Longe de mim querer fazer qualquer apelo a uma sociedade puritana ou retrógrada, não é isto que passa pela cabeça deste que vos fala. Ressalto apenas a vacuidade das relações que várias vezes passa desapercebida pelos participantes.

O "amor sólido" se torna impraticável em uma "sociedade líquida" para usarmos a expressão do Zygmund Bauman que veio a tona enquanto conversávamos. Neste tipo de sociedade não há muito espaço para coisas sólidas, estas são vistas como subversão e não são incentivadas uma vez que acabam se tornando um protesto contra o status quo onde a vacuidade dos relacionamentos prevalece. Nesta sociedade líquida tudo é constantemente reinventado só que sem raízes, sem forma. Nossos quadros de referencia mudam muito rapidamente sem que tenham tempo de solidificar em costumes e hábitos e a mesma dinamica vemos hoje em dia nos relacioamentos que assumem o que o mesmo Bauman chamou de "amor líquido".

Confesso que acho esta vacuidade das relações algo muito estranho, talvez devido a minha criação, talvez ao meu jeito de ver o mundo, não sei, mas acredito que alguma coisa do que disse aqui faz sentido e merece ser pensado com certa urgencia para que não tornemos os humanos tão descartáveis como temos tornado as coisas, e não invertamos a lógica agostiana que já nos dizia que devemos amar as pessoas e usar as coisas e não amar as coisas e usar as pessoas.

domingo, 2 de outubro de 2011

Περὶ Ἑρμηνείας *


http://www.gocomics.com/peanuts/2011/10/02/

Aprendamos com Linus, para que quando formos falar de algo bíblico, não usemos textos isolados na tentativa de fundamentar nossas convicções. A idéia de Lutero de "Sola Scriptura" não significa "sola mea scriptura".

* Περὶ Ἑρμηνείας,(Peri hermeneias) significa "da interpretação" título de uma maravilhosa obra de Aristóteles. E ao contrário do que talvez gostaria Ricouer, não pressupõe a existência de um "espírito" a ser encontrado no texto durante o trabalho de interpretação.


quarta-feira, 14 de setembro de 2011

I had a dream







Hoje sonhei com você.

Foi um bom sonho, voltávamos a nos ver depois de um longo tempo. Longo pra mim talvez, nem tanto pra você.
No sonho voltávamos a agir como crianças, envoltos em conversas inúteis, mas por isso mesmo carregadas do essencial de cada um de nós.
No sonho apareceu um "problema de adulto" que assolava nossos momentos infantis de descoberta, confiança, reciprocidade.
Mas o problema logo foi embora e continuamos nossa conversa inútil.

Há duas formas de vermos os sonhos. "a la Homero" e "a la Freud".

Em Homero os sonhos são entendidos como preságio dos deuses. Os sonhos mostram que uma realidade metafísica quer se comunicar conosco para nos alertar, admoestar, dar dicas do que fazer, montar estratégias em caso de batalha, enfim, o sonho é um bom ou mau preságio de algo que virá. É o ponto de contato com o futuro ainda inexistente para nós, mas já de alguma forma "forjado" num plano eterno. Vemos isso na Ilíada, na Odisséia... Homens sendo avisados pelos deuses, e estes o fazendo através do sonhos.

Sonhar podia ser extremamente enriquecedor ou perturbador dependendo do sonho e suas implicações. Às vezes só os mais sábios eram capazes de interpretar a "mensagem dos deuses". Vemos esta temática aparecendo várias vezes no texto bíblico também, isto não é um privilégio dos gregos, o que mostra um aspecto interessante dessa forma de ver o sonhos. E é importante ressaltar que esta visão perdurou durante vários séculos e só mesmo com Freud que os sonhos foram "desmistificados".

Outra forma de vermos os sonhos é "a la Freud". Para ele, os sonhos são manifestações de desejos inconscientes que "escapam", durante a noite, das barreiras forjadas pelo ego e pelo superego e vêem à tona enquanto dormimos.
Estes desejos são, por definição, amorais. Não há "pudor" no inconsciente. Por isso que as vezes sonhamos com coisas tão estranhas. No sonho, deste ponto de vista, o que está em jogo não é uma realidade metafísica tentando nos falar alguma coisa, mas existe apenas nós mesmos tentando nos dizer alguma coisa.
Para Freud, assim como um carro é movido pela gasolina, o homem é movido pelo desejo. Somos seres desejantes, e é isto que nos constitui enquanto seres humanos.

O que realmente somos, onde realmente somos não está nos nossos domínios. Está escondido em nossas profundezas e talvez por isso não nos conhecemos várias vezes.
Os sonhos nos mostrariam esta dimensão nossa que desconhecemos, eles manifestariam os nossos desejos mais escondidos.

Se o sonho que tive hoje foi uma mensagem dos deuses ou manifestação de um desejo inconsciente de estar contigo não tem como dizer. Embora acredite mais "a la Freud", quem sou eu para negar a possibilidade metafísica?

Sei que quando acordei não gostaria de ter acordado. Estava tão boa a sua companhia em meus sonhos. Estava tão bom reviver com você tão bons momentos.

Voltar ao passado e novamente ter momentos felizes ao seu lado me fez muito bem.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Reflexos e Reflexões







Reflexo e reflexões foi um novo nome que pensei para o blog e isto talvez por uma questão muito óbvia.
Todo escrito meu, por mais simples que seja, sempre tem um pouco dos dois. A reflexão que como todos sabem faz parte do trabalho do filósofo de maneira fulcral.

Não existe filosofia sem reflexão, embora o contrário seja bem comum.

E o reflexo talvez não se mostre com tanta obvieidade, mas permeia tudo o que fazemos.

Ao fazermos coisas refletimos o que nos foi ensinado em nossa própria existência. Na maior parte das vezes nossas ações não passam de reflexos, hora límpidos, hora turvos.

Claro que há um problema subjacente em agirmos como meros seres-que-refletem-coisas
que é o problema da identidade.
Se apenas refletimos, ficamos como grande espaço vazio, no entanto todas nossas ações sempre serão reflexos de nós mesmos.
Será que é possível vermos o mundo sem nossos olhos? Com olhos de outro?

Afinal, todo mundo visto por mim é o meu mundo.

Algumas vertentes místicas colocam como objetivo a quebra do vidro que gera o reflexo pelo qual vemos o mundo para contemplarmos a realidade das coisas sem o vidro que nos impede e nos reflete antes de vermos algo.
Mas será isto possível? Enquanto possibilidade isto aparece, talvez o problema seja a exequibilidade.

Esta dinâmica do ver já está presente em Platão. Algo muito interessante a notar é a diferença da ascesse à verdade entre o grego e o judeu. Enquanto para o primeiro o sentido mais louvado é a visão, para o segundo é o ouvido. ( A fé vem pelo ouvir, Maria engravida pela palavra). Até que ponto estas representações não estão condicionadas socialmente?

Sobre toda hermeneutica sempre há um ser-hermeneuta. Não há hermeneutica isenta, livre, e talvez aí resida todo fracasso de uma tentativa a encontrar a "verdade" escondida no texto, (típico de algumas posições fundamentalistas), ou até mesmo a proposta mística de uma verdade metafísica existente além de qualquer coisa.

Claro que com boas doses de metafísica, as duas posições são possíveis. Talvez o que algumas escolas místicas propõem como objetivo último do ser humano em nada difere da posição fundamentalista de encontrar a "verdade atemporal" descrita no texto. No entanto, a postura mística, já de saída assume sua metafísica, ao passo que várias posições fundamentalistas não o fazem, o que acaba colocando tal posição numa "falta de sinceridade epistemológica."

A posição que defendo é que nossas reflexões são sempre reflexos nossos, reflexos da nossa sociedade, reflexo do mundo que crescemos e vivemos. Claro que admito como possibilidade uma ascesse a algo para além do reflexo, no entanto penso ser uma via mais complicada de se defender epistemológicamente e talvez por isso tenho a tendencia de deixá-la em suspenso.

As vezes a contemplação mística seja a saída para tal impasse, no entanto, como sabemos tal contemplação se torna inefável, uma vez que as palavras não a consegue descrever. Chegamos quase que ao impasse de Górgias. Este afirmava que "nada existe, se existir não pode ser dito a ninguém, se puder ser dito, ninguém compreenderá", se ao invés do nada colocarmos o "sentido" ou "tudo" ficamos próximos das tentativas místicas, e o mesmo impasse permanece, só que agora não mais com a existencia de um nada, mas com a presença do todo que nos permeia no entanto nos escapa pois as palavras não o atinge. Condição humana por excelencia, o limbo entre o todo e o nada buscando, na corda bamba, achar um caminho para a morte feliz.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Palavras jogadas



Eu sempre achei que um bom sinal de saber
se vc tem um relacionamento bacana com outra
pessoa é vc conseguir ficar calado perto dela e
isso nao incomodar. alcancar a incomunicacao...
um silencio que nao incomoda é sinal de cumplicidade e isso demora muito para se conseguir.

Em um mundo onde tudo deve ser rapidamente comunicado, o silencio vira quase que um tesouro perdido.

E na maioria das vezes sobre o que falamos?

Falamos trivialidades, coisas corriqueiras, assuntos fúteis, besteiras que qualquer pessoa além de nós mesmos seria capaz de falar.

Na maioria das vezes nossas palavras não trazem vida a ninguém. Um todo fútil. Palavras jogadas ao vento e que nunca recolheremos nem mesmo as veremos produzindo algum fruto.

Desperdiçamos como quem tem de sobra, como quem não precisa dar contas das palavras que se dizem. Palavras contra palavras, nada além disso.

Palavras vaizas, mas que por algum motivo insistimos em dizer. Parece que há um senso comum em achar que o silêncio é sinal de fraqueza, que as pessoas devem sempre falar alguma coisa.

Não sou desta opinião. Valorizo o silêncio. Valorizo as palavras que edificam.

Se a boca fala do que está cheio o coração, como já dizia o cristo, e nosso falar remete apenas a futilidades, podemos dizer que nosso coração está cheio de futilidade. E se ao mesmo tempo, o nosso tesouro está onde está o nosso coração, podemos falar que o nosso tesouro está em futilidades. (Isto deduzido por mero silogismo)

talvez por isso falamos futilidades, gastamos com futilidades e a vida fútil vai seguindo como uma espécie de "dever-ser". Uma dinamica típica do capitalismo, da dinamica de consumo onde até mesmo as palavras se tornam futilidades.

A palavra cria e destrói mundos, mas também pode ser usada como nada além que palavras jogadas ao vento, e infelizmente é o que mais vemos hoje em dia.




quarta-feira, 20 de julho de 2011

Enquanto se espera



Ele chega e espera, e enquanto espera nada mais faz que pensar.
Pensa na vida, pega um livro, folheia, pega outro, folheia novamente
Assuntos do seu interesse, nada que interessaria muitas pessoas.
Entra na livraria e encontra um livro do Paulo Brabo, começa a ler e gosta.
Fica ali um bom tempo se deleitando e se indentificando com o autor.
Boa escrita, bom tema e as horas passam rapidamente.

Na mesma sessão encontra um livro do Ratzinger. Folheia e percebe que há um diálogo ecumenico proposto pelo papa na introdução do seu livro. Desfaz algumas visões que ainda persistiam sobre o papa.

Encontra um livro sobre 4 livros apócrifos, inclusive o livro de Enoch. Folheia também e isso lhe faz pensar também.

Reflete sobre várias coisas enquanto espera. Pega um livro que estava na sua mochila, levado para o diálogo e começa de onde havia parado da última vez que abriu o livro. O livro é sobre Freud e a religião. Ele gosta do que lê, afinal, é a área que estudou com mais afinco.

Tudo isso enquanto espera.


E as horas passam, e a espera continua. A pessoa esperada não chega.
Aconteceu alguma coisa, mas infelizmente ninguém sabe o que houve. Apenas se sabe que a pessoa esperada também espera uma pessoa que não chega. E o que será que ela, que espera, terá feito em sua casa?
Será que lá também pensou em várias coisas assim como quem a esperava pensou em várias coisas?
Sobre o que pensou?
Será que abriu algum livro e folheou enquanto esperava? Será que comeu algo, viu alguma coisa?

Várias coisas podem acontecer enquanto se espera.

No final, ambos esperaram. Ele, depois de muito esperar, foi embora triste por não ter dialogado com a pessoa querida em um dia especial. Coincidentemente era o dia do amigo, mas a amiga não apareceu, pois quem ela esperava nao chegou a tempo.

E quando será que dialogarão?
Será que algum dia isso sucederá?
As duas últimas tentativas não deram certo, ficaram apenas no campo das idéias sem efetividade material.
A esperança persiste, e por enquanto é a única coisa que eles tem em comum além da vontade de que o diálogo finalmente aconteça depois de 1 ano de espera.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Despedidas







Às vezes são os outros que vão, às vezes somos nós que temos que ir.
Em toda despedida tem um quê de alegria e um quê de tristeza.

Alegria por estar indo, descobrir novas coisas, experimentar novos desafios, avançar em algum sentido, mudar para outros horizontes, criar a expectativa que o novo será melhor.

Tristeza por ter que deixar os laços criados, as amizades feitas, o cotidiano ao lado das pessoas, a cumplicidade adquirida. Saber que não mais verá aquela pessoa especial que foi e é tão importante em nossa vida.

As chegadas e partidas acabam por fazer o que nós somos. Temos que lidar com elas se quisermos amadurecer como humanos. No entanto, penso que também devemos "sofrê-las". Evidenciar que algo está mudando, sentir a perda dos momentos que não mais se repetirão.
Colocar marcos para lembrarmos. Marcos estes que nos farão olhar para trás e saber que naquele momento algo de importante aconteceu conosco. Uma nova fase se iniciou, um novo percurso foi iniciado e as coisas não foram mais como elas eram...

Sob o adágio: "é a vida", não se pode colocar todas as coisas. Afinal, por trás deste adágio se encontra toda uma dinâmica de resignação que não deve ser incentivada. Claro que tem coisas que "a vida" é responsável, mas para a maioria das outras, nós o somos.

O adágio "é a vida" talvez seja uma tentativa para que não soframos. Colocamos as coisas sobre uma dimensão maior, personificamos "a vida" de forma que ela aparece como algo que "sabe o que está fazendo". Mas a proposta aqui é para que soframos com os momentos de tristeza e alegremos com os momentos de alegria. A proposta bíblica já diz isso. Alegremos com os que se alegram e choremos com os que choram.

A proposta não é esconder a dor, tentar "animar", tentar fazer com que o momento seja menos doloroso do que se é, não é isto. A proposta é para que aprendamos que há momentos em que se deve "chorar com os que choram", viver as experiencias tristes com a mesma intensidade dos momentos alegres. Sem sofrer demais ao ponto de parecer auto-comiseração, nem fingir que a dor não existe. Virtude esta que só aprendemos com a prática.

Os marcos se tornam importantes por este motivo. Para colocarmos tais marcos é preciso esforço, é preciso empenho, e com isso os momentos ficarão guardados. Sem contar que os mesmos marcos nos darão "direções" caso tenhamos que passar pelo mesmo caminho outra vez.

As despedidas marcam sempre o fim de uma etapa, e com este fim abre-se a esperança de um novo recomeço. Se será melhor ou pior não podemos dizer, podemos apenas confiar que o futuro será melhor que o passado.

Recentemente vivi as duas experiências. Me despedi e despedi de alguém, em ambos os momentos, as experiencias foram tristes, mas a esperança de que o futuro será melhor persistiu.

Sofri e sofro como quem perde o contato com pessoas maravilhosas, que gostaria que sempre estivessem ao meu lado, que gostaria que nunca ficassem longe, ou fossem para longe.

Não direi que é a vida. Sofrerei como quem sofre a despedida, mas quero confiar que os que vão encontrarão algo melhor.

Sofrerei também como aquele que partiu e deixou pessoas a quem amava. E para elas, fica o meu desejo de um futuro melhor. Sei que elas sofrem também pela minha partida, assim como eu sofro por aqueles que partem.

Fiquem em paz, queridos alunos do Elite de Ipatinga. (Aqueles que ficaram)
Vá em paz, querida Ana. (Aquela que partiu)

Fabiano Veliq (Aquele que partiu, e aquele que ficou)


segunda-feira, 6 de junho de 2011

Uma busca...







Na busca de uma palavra que dissesse exatamente o que gostaria de dizer não encontrei nenhuma e por causa disso tive que usar tantas outras pra tentar expressar algo que apenas uma palavra exprimiria.
Claro que não conseguirei dizer o que aquela palavra diria, mesmo porque apenas aquela palavra é capaz de dizer o que não consigo dizer com inúmeras palavras.
Se algum dia achar tal palavra talvez pare de escrever e ficaria só repetindo tal palavra, afinal, o que seria todas as outras quando se acha exatamente aquela que tipifica o mais essencial das coisas que se querem dizer?
Mas, e se houver uma palavra pra cada momento da vida que diria exatamente o que gostaríamos naquele momento, mas não existisse a palavra que diz todas as coisas em todos os momentos? Será que mesmo assim procuraríamos a união das palavras em torno daquela única palavra?
“Diga uma palavra e ficará curada” - Disse certa vez um oficial ao Cristo. Aquela palavra foi dita e a cura se instaurou. Uma palavra se fez carne e todo o mundo foi mudado. Uma palavra.
Talvez seja esta a palavra que busco. A palavra que cura os enfermos, liberta os cativos, palavra que vinda ao mundo iluminaria a todo homem. Talvez a palavra seja o que todos buscamos de uma forma de outra. Talvez um verbo. Verbo que indicaria ação diante do mundo na tentativa de transformá-lo em algo além do que mero palco de espetáculos.
Palavra que quando dita explicitaria tudo de forma clara e distinta, orgulho cartesiano por excelencia.
Enquanto não encontro tal palavra, vario eideticamente em torno desse algo, que ao contrário do fenomeno russeliano, não se mostra a não ser por meio de verbos de ação no mundo.
Não consegui expressar o que queria, afinal, não encontrei a tal palavra ainda, e fico com meu ceticismo pra saber, se quando achar, saberei expressar a única palavra que procuro.

sábado, 4 de junho de 2011

Aporias?



O que posso fazer se você não quer mais minha companhia?
Se minha distancia fará melhor pra você que a minha presença?
Se nossos momentos juntos não fazem mais sentido?
Se minhas tentativas de andar junto se tornou apenas palavras ao vento?

O que posso fazer se estamos em lugares diferentes?
Se você não quer mais minha companhia?
Se as coisas sobre nós tornaram-se algo a ser esquecido?
Se nós não fazemos bem mais um para o outro?

O que posso fazer se deparamos que somos dependentes um do outro?
Se perceber que a dor da separação será maior que a dor que vivemos juntos?
Se descobri que o sofrimento talvez valerá a pena?
Se mesmo assim quiser continuar tentando?

O que posso fazer se descobri que te amo?
Se percebi que prefiro sua companhia a de qualquer outra pessoa?
Se percebi que apenas precisamos de espaço?
Se percebi que já encontramos a solução?

O que podemos fazer?


terça-feira, 17 de maio de 2011

28 anos, Existencialmente...








E o que dizer quando o ano acaba
Quando as folhas caem
Quando o tempo fecha?

O que dizer quando a dor aparece
Quando nada acontece
E perde-se tudo o que se tem?

O que dizer quando o novo começa
Quando o que se admira volta
Quando a alegria vem?

Palavras pra que? Se elas não expressam o que queremos?
Poesias pra que? se elas provavelmente não serão compreendidas?
Impasse epistemico-linguístico.

E de repente ficamos como quem sonha,
Mas o sonho também incompreendido...

Restando talvez um mero olhar diante do inexplicável
Mero buscar de um sentido que talvez não exista.
E no tatear diante do mundo desconhecido,
Vamos vivendo procurando dias felizes...



terça-feira, 10 de maio de 2011

Espera








E de repente,
fico como quem espera.

Observo as plantas, as construções, as árvores ao meu redor,
Mas fico como quem espera,

Espero uma presença que talvez nunca virá,
um sorriso que nunca chegará,
uma palavra que nunca se ouvirá.

Mas ainda assim, fico como quem espera...

Espero a nuvem que não passará
A chuva que não virá
A angústia que não passará

Mas ainda assim, fico como quem espera.

Nesse esperar, me constituo como homem
Mesmo esperando o tudo que talvez se revelará em nada

Ainda assim, fico como quem espera.


quarta-feira, 27 de abril de 2011

Alguns pensamentos esparsos









Sentado num banco de praça pensa- se em muita coisa.

Pensa-se na vida, na morte, no sentido, na falta dele. Não se pensa também sobre nada.
As vezes só o bater do vento sobre sua cabeça já é o suficiente para um dia perfeito.
Acaba-se perdendo essa admiração com as coisas simples da vida enquanto nos preocupamos com tudo mais que é tão vão como qualquer coisa que se desfaz no ar...

Passo por esta praça toda semana e é a primeira vez que paro e aproveito o que de graça ela me oferece.
Descanso nela. Ela que sempre esteve aqui e eu nunca percebi.
E tem como não pensar em Deus nesta simples analogia?

Sempre tão perto, oferecendo gratuitamente momentos de prazer por meio das coisas criadas. Pena passarmos tanto tempo da nossa vida sem reparar nesta beleza e gratuidade, buscando-o as vezes nos chamados "túmulos de Deus" para usar a expressão de Nietzsche.

Compensaria uma volta à proposta aquiniana ou até mesmo do salmista que afirma que a criação proclama a glória de Deus... Talvez daí a proposta agostiniana de afirmar Deus como beleza...Chego a querer parafrasear Agostinho no livro X das confissóes e dizer "Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova. Tarde demais eu te amei. ..."

Bom pensar na praça, no jardim, talvez o lugar onde estejamos mais próximos deste que achamos sempre tão longe.

Lembremos do Éden... A história que contava que Deus passeava no jardim...

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Uma certa vestibulanda





Ainda me lembro de você
Enquanto eu trabalhava, você ali pensava na vida.
Seus olhos vidrados no chão,
Olhos claros, cabelos loiros, blusa branca e all star
Pensando...

Divagando aparentemente sobre tantas coisas,
Olhos tristes, de quem a esperança já se foi
De quem o ano todo não valeu a pena
porque agora, quando mais precisa, todo conhecimento lhe escapou.

Resta-te apenas o olhar vago de quem pensa grandes coisas,
mas nenhuma delas agora te será útil.
O lápis não escreve nada, a borracha virou brinquedo em suas mãos...

Enquanto observa o piso e pensa
Te observo.

Você tão bonita, tão nova ainda, e tendo que fazer uma decisão desta
Decisão que ainda acredita que durará a vida inteira
Decisão que ainda acredita ser sem volta

Se ao menos você soubesse que tal decisão não é pra vida inteira
Que sempre há chance de mudar
Que a vida lhe aparece aberta em todos os sentidos
Que a precariedade dela se mostra cada vez que tomamos uma decisão...

Ah se você soubesse disso tudo,
Talvez sua cara fechada se abriria em sorriso,
E ao invés dos pensamentos lhe inspirarem o choro
Eles inspirariam o riso de alguém que compreendeu o grande jogo que sempre jogamos na vida

A prova acabou,
A aluna se foi,
E eu fiquei pensando...

Tal fato aconteceu enquanto aplicava uma prova de vestibular no ano passado.





sexta-feira, 25 de março de 2011

Galo 103 anos







Puro amor!
Só entende quem já provou,
Só compreensível aos corações apaixonados.
Inexplicável.

Somos chamados de loucos pois nosso amor cresce apesar das circunstâncias desfavoráveis;
Amor desinteressado,
Tudo suporta, tudo espera, tudo acredita...

Sentimento oceânico quando te vemos entrar em campo, sentimento de identificação
Sentimento que transcende as palavras, nos abre para a dimensão do amor.
Amor desinteressado,
Tudo suporta, tudo espera, tudo acredita...

Galo ! Uma vez até morrer.

Até que a minha morte nos separe!
Afinal, Tu não morrerás jamais!

Galo não é time, Galo é religião !!!

Ave Galo!!!!