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terça-feira, 21 de janeiro de 2014

O homo "críticus"









O "Homo Criticus", da sua casa em um bairro semi-nobre,  apóia todos os movimentos de cunho social...

Ele é contra a homofobia
Contra o machismo
Contra a direita
Contra a religião
Contra a igreja católica
Contra os evangélicos
Acha o papa Francisco uma jogada de Marketing da igreja Católica
É Contra Hollywood
É Contra a cultura de massa
É Contra a rede globo


É a favor dos pobres
A favor dos negros
A favor das feministas
A favor dos homoafetivos
É a favor do terceiro sexo
É a favor à não distinção de gênero

Apóia o transporte público
Apóia a escola pública e exige que ela seja de qualidade, (mas ele mesmo nunca estudou lá)
Apóia as pichações em locais públicos
Apóia qualquer tipo de pichação como expressão, contando que não seja no muro ou nas paredes de sua casa.

É a favor dos black blocs
É a favor da esquerda
É anarquista
É contra o PT
É contra o PSDB
É contra o PSTU
Votou na Dilma, mas ela representa apenas os interesses das oligarquias
É a favor das cotas


Defende a luta contra o aquecimento global
Acredita que o carnaval de rua é expressão do povo
É contra a militarização da polícia
É talvez até contra a própria polícia

Lê Butler
Lê Nietzsche
É marxista
Cita Dawkins
Discute Foucault
É fã do Deleuze

É evolucionista
É a favor da ocupação do MST, contando que eles só invadam terras improdutivas
É a favor dos índios
É contra a destruição da Amazônia
É a favor dos programas mais médicos
Participa (pelo Facebook) de todas as manifestações, assembléias, etc.
Estava nas manifestações de Junho
É contra a copa do mundo no Brasil
Quer tarifa zero nos ônibus, metrôs, táxis...
É a favor da liberação da maconha

Acha o Brasil atrasado (Olha o Uruguai !!!!)
Por falar em Uruguai, acha o Mujica o melhor presidente do mundo.
Divulgou incessantemente matérias sobre o helicóptero do Aécio Neves
Obviamente não deixou de ver a "marcha do pó royal" no Youtube e achar o máximo.

Da sua moradia em um bairro semi-nobre ele tem opinião sobre tudo.
Quando a passeio pela Europa não esquece dos "problemas brasileiros" com os quais se identifica.


PS: Obviamente que, quem discorda destas causas ou é a favor daquilo do qual ele é contra, é tudo "alienado", "sem senso crítico", enfim. É tudo "reaça" !




quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Trabalho, Internet, Paradoxo...




Sei que já se tornou um grande clichê falar do paradoxo aproximação/afastamento provocado pela internet, mas olhando para trás em minha trajetória em diversos empregos é muito claro para mim o afastamento que a internet provoca criando a ilusão de proximidade. Cito apenas dois exemplos de dois lugares onde trabalhei.

Há cerca de uns 10 anos atrás, eu trabalhava em um lugar onde tinha-se muito pouca coisa para fazer. O trabalho propriamente dito era uma parte esporádica do dia, e na maior parte do tempo ficávamos apenas lá à espera de que alguém procurasse o setor para resolver alguns problemas. Pouquíssimas pessoas chegavam na maior parte das vezes, em uns raros momentos havia "horários de picos" que eram facilmente resolvidos por quem trabalhava lá.

Um dado que acho importante ressaltar é que no setor trabalhavam uma média de 10 pessoas entre chefia, auxiliares administrativos, vigilância, etc. no entanto, havia apenas 1 computador no setor. Este 1 computador ficava na sala do chefe e era usado para os lançamentos de dados nas planilhas e os acessos à internet que alguém quisesse fazer. A meu ver, o fato de haver apenas um computador e este ficar na sala do chefe propiciava para os funcionários um tempo de conversa entre si que não aconteceria se cada um tivesse um computador à sua disposição. Como não havia muito para fazer em questões de trabalho, e não havia um computador para cada pessoa de forma a cada um se distrair com seus afazeres particulares, restava à maioria o convívio pessoal regado a muita conversa e cafés.

Estes momentos de conversa eram muito bons na maior parte do tempo e nos fazia entrar em direto contato com o outro e desenvolver uma verdadeira amizade que cooperava muito para o bom andamento do setor. Nos diversos diálogos que tínhamos éramos capazes de compartilhar dificuldades em casa, estudos, marcarmos de sair, ir na casa um do outro, enfim, desenvolver uma amizade que transcendia a esfera do "mundo do trabalho".

Atualmente trabalho em outro lugar onde também há muito pouca coisa para fazer. O trabalho aparece em pequenos momentos também e raramente temos horários de pico onde uma ação mais efetiva seja necessária. São também uma média de 10 pessoas no setor, mas ao contrário do primeiro exemplo, cada um tem seu próprio computador com conexão a internet e isso a meu ver provoca um grande afastamento nas relações humanas. Já trabalho neste setor há 6 meses e conheço muito pouco a respeito das outras pessoas que trabalham comigo. Não sei direito onde moram, nem se tem irmãos, família, se preferem churrasco ou saladas, se são cruzeirenses, atleticanos ou se nem ligam para futebol, etc. Praticamente não sei nada sobre as pessoas que trabalham comigo. A meu ver isso se deve em grande parte ao fato de na maior parte do tempo cada um estar preocupado com sua conta no facebook, sua série americana preferida, seus livros, e tudo isso facilitado pelo simples fato de ter um computador conectado à internet bem a sua disposição.
Neste caso, a internet promoveu um grande afastamento das relações humanas. É como se elas não precisassem se relacionar no mundo do trabalho. Não é porque elas têm muita coisa para fazer, ou esteja passando mal, ou coisa do tipo, é simplesmente a grande ausência de interesse pelo contato com o outro que acaba sendo substituído pela internet muito facilmente. Como já expus em outro texto, há toda uma concepção de diferenciação entre o "mundo da vida" e o "mundo do trabalho". (Você pode acessar  o outro texto aqui)
Este afastamento acaba propiciando um ambiente de trabalho um tanto quanto "mecanizado" onde se perde um certo "quê" de "humanidade". Entramos e saímos sem trocas simbólicas, apenas "fazendo nosso trabalho". Esta ausência de troca simbólica a meu ver é prejudicial e é algo que precisa ser mudado para um funcionamento mais humanizado do setor.

Como todos sabemos, o grande paradoxo da internet consiste em nos aproximar do mundo e nos afastar das pessoas próximas dificultando as trocas simbólicas que envolvem um outro que não eu mesmo narcisicamente projetado em relacionamentos virtuais. Para mim, este distanciamento se faz notar de forma muito nítida a partir destes dois exemplos tirados da minha experiência. Obviamente que eu mudei, que as pessoas mudaram de um lugar para outro, mas o que se perdeu não tem a ver com as mudanças das pessoas, mas com a mudança das "formas" de relacionamentos criadas hoje, que várias vezes tem muito pouco de "relacionamento" e mais de "ensimesmamento". Este "ensimesmamento" acaba isolando o sujeito do mundo humano, configurando não raras vezes em um grande vício que se atentarmos bem funciona de forma parecida com uma droga na qual o sujeito se isola tentando narcisicamente encarar o mundo sem o outro.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Email enviado ao sindicato durante negociação salarial




Depois de passeatas e mais passeatas, em 10 de julho o sindicato envia um email falando que seria melhor aceitar a proposta da empresa, em resposta, escrevi este email que segue abaixo



11 de Julho de 2011

No final então, muito barulho por nada.

Deveríamos termos sido mais honestos e aceitado a proposta de uma vez assim que ela foi feita. Tudo acaba por se esvair em mais 2 anos. Se a empresa não incluiria mais nada, e quanto a isso não faríamos nada, pq então nao aceitamos isso na semana passada?

Novamente, o sindicato se mostrou sem força para negociação. O discurso do sindicato não deveria ser o da resignação, afinal, o próprio lema do sindicato é "um sindicato de luta". Percebemos que esta luta não acontece de forma efetiva. E isto apenas corrobora o que a maioria diz do sindicato, que está mais "patronal" que pelo proletariado.

Toda a luta, as paralisações, quer do atendimento da GECOP que parou várias vezes na íntegra, quer do CCO que comprou a briga tb vai por água abaixo sem contar os demais setores da empresa que também se dispuseram a lutar. Aparentemente todos já sabiam que assim que ameaçassem cortar os benefícios o movimento acabaria. Aparentemente sempre foi assim, e não parece que mudará durante muito tempo. Quando finalmente o "arrocho" reincidira sobre a gerencia e a supervisão - uma vez que o corte dos benefícios se aplicam a todos os empregados- o movimento é dissolvido. Se nem nós mesmos nos valorizamos e estamos dispostos a enfrentar as sanções que nos são impostas, quem dirá a prefeitura que em nada é afetada pelo nosso movimento que se mostrou vazio e sem sentido? Por isso que cada ano que passa, o sindicato se torna mais desacreditado por parte dos funcionários.

Aceitemos então a suposta "desumanização" - que foi a palavra muito usada em vários discursos durante as paralisações - que nos é imposta mais uma vez, e aceitemos os benefícios, novamente como moeda de troca.
E tudo continua na mesma. Pra que ir pra porta da Nossa Sra de Fátima se a idéia do movimento já se perdeu? Qual o sentido de ir lá ouvir que em nada progredimos e ouvir o próprio sindicato falar que é melhor se render do que enfrentar sanções??

Este email que vc me mandou é um atestado de óbito do movimento, então neste sentido, não tem porque manter os aparelhos ligados.
Fico triste com a situação, mas tenho que concordar com a maioria ao afirmar que o sindicato não tem força pra lutar. O discurso que "o sindicato somos todos nós" realmente é verídico, mas se votamos por uma representação, ela tem que ser feita com pulso forte, e não se eximir de se posicionar quando chamada. Tal falta de posicionamento é visto no discurso que se esconde por trás da fala "o sindicato somos todos nós", afinal, por trás dele está toda uma dinâmica que não quer ser responsabilizada pela perda. Afinal é muito simples atribuir a culpa da falha do movimento à falta da participação de vários empregados, no entanto, há de ressaltar que se não há a participação dos empregados que se sentem desumanizados é porque eles não veem que aquele que os representaria comprou a briga.

Se a liderança do movimento é fraca, o que vai restar é o proletariado desanimado de reinvidicar seus direitos. Há de se responsabilizar sim o sindicato, e não imputar esta culpa ao proletariado. Claro que se não há a representação de forma efetiva é porque provavelmente o sindicato não vê a causa como sua. Isto é visível. E se o problema não é encarado como sendo meu, não tem porque lutar. É indiferente, e percebe-se claramente que para o sindicato, é indiferente, talvez pra maioria dos empregados também seja indiferente.

Se meu trabalho é algo alheio a mim - dinâmica esta já evidenciada por Marx em seu discurso sobre o trabalho na sociedade capitalista - toda esfera do trabalho aparecerá como algo estranho e por isso a desumanização não será percebida. De que adianta o discurso que afirma a "desumanização" se o próprio trabalhador, o próprio sindicato não se veem desumanizados ? Aceitar os benefícios como moeda de troca é atestar que a desumanização não nos incomoda, e esta talvez seja a maior constatação que chegamos após analisar este movimento infrutífero que fizemos.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Sobre algumas relações de trabalho






Prezados (as)
Como a idéia do email é propor uma reflexão, acho interessantíssimo que reflitamos seriamente sobre o assunto tratado. Deixo aqui minha contribuição.

Com certeza, sei que as questões solicitadas no abaixo assinado receberão toda a atenção por parte da supervisão e sei que com certeza a supervisão fará o melhor que pode para sanar esta demanda que é extremamente antiga.

Gostaria de salientar que a melhora do maquinário não é algo a ser feito "para os atendentes" ou "para as meninas da triagem", mas sim algo que zelaria pela proposta global da prefeitura que é "oferecer um atendimento de qualidade".

Ao melhorar o maquinário em nada isso remete a alguma melhoria direta na vida do atendente ou da triagem. Ajuda na execução de seu trabalho, mas o que realmente precisa ser mudado não o é, isto é, as condições de trabalho para a boa execução deste.

Concordo quando fala dos relacionamentos interpessoais, que eles são importantes e devem mesmo ser incentivado por parte da supervisão e da gerência.

Mas como medir isso? Será que há algum parâmetro para sabermos se todos merecem o mesmo tipo de tratamento?
Será que há algum "incentivo" na boa convivência entre os funcionários da gerencia?
Que é bom, realmente o é, no entanto sempre se esbarram em abismos práticos que vão desde o descumprimento de coisas acordadas em reuniões anteriores, até posturas que em nenhuma empresa privada seriam aceitas.

Concordo também que algumas práticas listadas cooperam para um mal atendimento no setor, no entanto, antes de pensarmos de forma genérica sobre o assunto, acho que seria interessante perguntarmos o "porque" desse tipo de atitude, e nisto, se fossemos fazer uma análise mais pormenorizada, acabaríamos por chegar na questão salarial e no problema da identificação do trabalhador com seu trabalho.

É bem sabido de todos que, em mundo de uma dinâmica capitalista, o que incentiva o trabalhador é o salário que ele recebe. De fato, colocando a coisa desta forma há uma boa justificativa para entendermos o porque do atendimento ruim. Claro que se ficássemos apenas nesse nível estaria cometendo o mesmo erro de colocar a coisa de forma simplista.

Penso que a não-identificação do trabalhador com seu trabalho gera a indiferença quanto ao caminhar das coisas. Claro que em um trabalho como o atendimento, que a meu ver, várias vezes poderia ser feito por qualquer pessoa, a questão da identificação raras vezes se coloca. O trabalho a ser executado passa a ser algo completamente mecânico, onde a exigência de "pensamento" tende a zero. Uma vez que é assim, o reino da indiferença tem mecanismos para se perpetuar.


A meu ver, algumas destas propostas implicam mais em uma tentativa de limitação da liberdade do que propriamente o pensar no operador.

Em toda a empresa apenas os atendentes trabalham com tamanha ausência de liberdade quanto às suas práticas. Em nenhum outro setor há um "guichê" que precisa saber tudo que é feito, como uma espécie de "deus opressor" que exige atenção exclusiva e nada pode fugir do seu controle. Se este guichê se coloca como "limitador da liberdade", o atendente tentará usar de todos os subterfúgios para que a sua liberdade se sobressaia enquanto algo que o define. O homem por definição deve ser livre. Mas se o dever-ser do homem é limitado pelo sistema, claro que o homem quererá dar vazão a liberdade que, como sabemos, não pode ser reprimida pra sempre.

A proposta proibitiva de acesso às redes sociais, ou qualquer outro tipo de "assunto que não tenha vinculação direta com o trabalho" (para citarmos a lei) parece mais uma atitude no sentido de controle para gerar alienação do funcionário do que propriamente uma preocupação com o usuário. Na era da informação sabemos que uma pessoa bem informada sempre se constitui um "perigo". Afinal, é muito mais fácil dominar aos que simplesmente se colocam como massa de manobra ao invés de lidar com pessoas que pensam a sua real situação diante das novas diretrizes. Ao proibir o uso da internet para fins não trabalhísticos, apenas corrobora a não-identificação entre o trabalhador e seu trabalho que aludimos mais acima. Não penso que limitar a liberdade seja o passo para quem quer "comprometimento" com o trabalho, mas sim um passo na direção da alienação que veríamos, acaba prejudicando mais ainda o trabalho.

Acredito que as pessoas sempre são mais importantes que as máquinas, e também penso que uma atitude melhor por parte dos atendentes e triagistas realmente melhoraria em muito o atendimento. No entanto, esta responsabilidade não pode cair sobre os atendentes e o povo da triagem. Sobre nós não pode cair a idéia de que "se mudarmos nossas atitudes as coisas serão melhores", porque sabemos que não é assim. Há algo que foge ao domínio dos atendentes e da triagem.

Querer responsabilizar a classe que menos ganha dentro da empresa por uma falha que é institucional é no mínimo descabida.



É de conhecimento de todos que um bom salário, um bom local de trabalho, boas condições físicas para desempenho de suas funções estimulam o funcionário a fazer um bom trabalho. Agora, como já demonstrado anteriormente em outras reuniões, se recebemos um valor de R$ 6,45 por hora, e nesta hora atendemos em média 5 pessoas, quer dizer que recebemos menos de 2 reais por atendimento, ou seja, alguns meros centavos por minuto gasto com o operador. Assim como não se pode esperar muita coisa de um celular de R$ 59,90, não se pode esperar um atendimento qualificado por "centavos-por-minuto". Trabalhamos de acordo com o salário.

Embora se queira fazer pensar por parte da direção de qualquer empresa, a questão é sempre colocada de forma inversa.

Fazer um trabalho para o qual não sou correspondido é mitigar a minha condição de humano.

Pensa a que ponto chegamos. O trabalhador já não se vê refletido no seu trabalho, este já aprece como algo exterior a ele, além disso, lhe pagam um salário muito aquém do que deveria receber ( a contar pela suposta responsabilidade que recai sobre os ombros dos atendentes e triagistas) por suas responsabilidades, e quando solicita melhorias a questão recai novamente sobre este mesmo atendente e triagista que tenta fazer um trabalho com todas estas precariedades? Isto me parece um contrassenso que deve ser evitado.

Penso que não há formas melhor de estimular o funcionário que dando a ele condições e pagamento digno para exercer sua função.

O final do email muito me preocupou também. Esta dinamica evidenciada nesta empresa de que "se não estiver satisfeito, saia" apenas mostra o caráter "maligno" que atingiu esta instituição. Colocar a coisa desta forma é dizer com todas as letras que o funcionário não é importante, que o trabalho realizado por ele pode ser feito por qualquer um, que ele não passa de mais uma peça para o mau-funcionamento da máquina, e o pior, mesmo sendo considerado desta forma, o atendente ou triagista ainda deve fazer um bom serviço. Que tipo de bom serviço pode sair de uma dinâmica desse tipo?

Onde não há valorização do funcionário (e isso em todos os âmbitos) não tem como exigir uma "postura de um ser-valorizado".

Chegamos ao incrível paradoxo de mostrar que a própria estrutura que condena a prática é a responsável pela prática, e com isso, ela perde todo o direito de exigir uma postura diferente. A "qualidade e dedicação" exigida se vê inexequível a não ser que estejamos dispostos a uma desumanização maior do que a que vivemos.

Em relação ao item 6, particularmente não tenho problemas com ele. Penso que chegar no horário é uma questão de educação e isso não passa pelo tema exposto aqui.

A indiferença chega a tal ponto por estas bandas que provavelmente a maioria das pessoas nem responderão ao email, mas ao mesmo tempo comentarão entre si e continuarão fazendo as coisas que faziam. Talvez estejamos reproduzindo no micro a mesma estrutura do macro. Basta olharmos para a política brasileira para termos um exemplo do que falo aqui.

O padecimento de uma pouca memória para as coisas ajuda muito nestas horas. Afinal, é muito fácil esquecer o combinado em outras reuniões. Tanto que vemos que nas reuniões, tudo funciona, mas ao sair delas, é como se nunca tivessem acontecido. Questões banais como "horários de lanche de 15 minutos" são facilmente esquecidos e a coisa volta a ficar da mesma forma que antes da reunião. Ao entrarmos na reunião o "dever-ser" impera, ao sairmos o que "é" se mantém. E ficamos como quem oscila entre as duas posições. Se aderimos ao que "é" vem sobre nós a culpa de não estarmos fazendo o combinado, se aderimos ao "dever-ser" não somos valorizados pelo trabalho prestado.

Sobre um ser tão fragilizado não pode recair culpabilidade.