segunda-feira, 6 de junho de 2011

Uma busca...







Na busca de uma palavra que dissesse exatamente o que gostaria de dizer não encontrei nenhuma e por causa disso tive que usar tantas outras pra tentar expressar algo que apenas uma palavra exprimiria.
Claro que não conseguirei dizer o que aquela palavra diria, mesmo porque apenas aquela palavra é capaz de dizer o que não consigo dizer com inúmeras palavras.
Se algum dia achar tal palavra talvez pare de escrever e ficaria só repetindo tal palavra, afinal, o que seria todas as outras quando se acha exatamente aquela que tipifica o mais essencial das coisas que se querem dizer?
Mas, e se houver uma palavra pra cada momento da vida que diria exatamente o que gostaríamos naquele momento, mas não existisse a palavra que diz todas as coisas em todos os momentos? Será que mesmo assim procuraríamos a união das palavras em torno daquela única palavra?
“Diga uma palavra e ficará curada” - Disse certa vez um oficial ao Cristo. Aquela palavra foi dita e a cura se instaurou. Uma palavra se fez carne e todo o mundo foi mudado. Uma palavra.
Talvez seja esta a palavra que busco. A palavra que cura os enfermos, liberta os cativos, palavra que vinda ao mundo iluminaria a todo homem. Talvez a palavra seja o que todos buscamos de uma forma de outra. Talvez um verbo. Verbo que indicaria ação diante do mundo na tentativa de transformá-lo em algo além do que mero palco de espetáculos.
Palavra que quando dita explicitaria tudo de forma clara e distinta, orgulho cartesiano por excelencia.
Enquanto não encontro tal palavra, vario eideticamente em torno desse algo, que ao contrário do fenomeno russeliano, não se mostra a não ser por meio de verbos de ação no mundo.
Não consegui expressar o que queria, afinal, não encontrei a tal palavra ainda, e fico com meu ceticismo pra saber, se quando achar, saberei expressar a única palavra que procuro.

sábado, 4 de junho de 2011

Aporias?



O que posso fazer se você não quer mais minha companhia?
Se minha distancia fará melhor pra você que a minha presença?
Se nossos momentos juntos não fazem mais sentido?
Se minhas tentativas de andar junto se tornou apenas palavras ao vento?

O que posso fazer se estamos em lugares diferentes?
Se você não quer mais minha companhia?
Se as coisas sobre nós tornaram-se algo a ser esquecido?
Se nós não fazemos bem mais um para o outro?

O que posso fazer se deparamos que somos dependentes um do outro?
Se perceber que a dor da separação será maior que a dor que vivemos juntos?
Se descobri que o sofrimento talvez valerá a pena?
Se mesmo assim quiser continuar tentando?

O que posso fazer se descobri que te amo?
Se percebi que prefiro sua companhia a de qualquer outra pessoa?
Se percebi que apenas precisamos de espaço?
Se percebi que já encontramos a solução?

O que podemos fazer?


terça-feira, 17 de maio de 2011

28 anos, Existencialmente...








E o que dizer quando o ano acaba
Quando as folhas caem
Quando o tempo fecha?

O que dizer quando a dor aparece
Quando nada acontece
E perde-se tudo o que se tem?

O que dizer quando o novo começa
Quando o que se admira volta
Quando a alegria vem?

Palavras pra que? Se elas não expressam o que queremos?
Poesias pra que? se elas provavelmente não serão compreendidas?
Impasse epistemico-linguístico.

E de repente ficamos como quem sonha,
Mas o sonho também incompreendido...

Restando talvez um mero olhar diante do inexplicável
Mero buscar de um sentido que talvez não exista.
E no tatear diante do mundo desconhecido,
Vamos vivendo procurando dias felizes...



terça-feira, 10 de maio de 2011

Espera








E de repente,
fico como quem espera.

Observo as plantas, as construções, as árvores ao meu redor,
Mas fico como quem espera,

Espero uma presença que talvez nunca virá,
um sorriso que nunca chegará,
uma palavra que nunca se ouvirá.

Mas ainda assim, fico como quem espera...

Espero a nuvem que não passará
A chuva que não virá
A angústia que não passará

Mas ainda assim, fico como quem espera.

Nesse esperar, me constituo como homem
Mesmo esperando o tudo que talvez se revelará em nada

Ainda assim, fico como quem espera.


quarta-feira, 27 de abril de 2011

Alguns pensamentos esparsos









Sentado num banco de praça pensa- se em muita coisa.

Pensa-se na vida, na morte, no sentido, na falta dele. Não se pensa também sobre nada.
As vezes só o bater do vento sobre sua cabeça já é o suficiente para um dia perfeito.
Acaba-se perdendo essa admiração com as coisas simples da vida enquanto nos preocupamos com tudo mais que é tão vão como qualquer coisa que se desfaz no ar...

Passo por esta praça toda semana e é a primeira vez que paro e aproveito o que de graça ela me oferece.
Descanso nela. Ela que sempre esteve aqui e eu nunca percebi.
E tem como não pensar em Deus nesta simples analogia?

Sempre tão perto, oferecendo gratuitamente momentos de prazer por meio das coisas criadas. Pena passarmos tanto tempo da nossa vida sem reparar nesta beleza e gratuidade, buscando-o as vezes nos chamados "túmulos de Deus" para usar a expressão de Nietzsche.

Compensaria uma volta à proposta aquiniana ou até mesmo do salmista que afirma que a criação proclama a glória de Deus... Talvez daí a proposta agostiniana de afirmar Deus como beleza...Chego a querer parafrasear Agostinho no livro X das confissóes e dizer "Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova. Tarde demais eu te amei. ..."

Bom pensar na praça, no jardim, talvez o lugar onde estejamos mais próximos deste que achamos sempre tão longe.

Lembremos do Éden... A história que contava que Deus passeava no jardim...

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Uma certa vestibulanda





Ainda me lembro de você
Enquanto eu trabalhava, você ali pensava na vida.
Seus olhos vidrados no chão,
Olhos claros, cabelos loiros, blusa branca e all star
Pensando...

Divagando aparentemente sobre tantas coisas,
Olhos tristes, de quem a esperança já se foi
De quem o ano todo não valeu a pena
porque agora, quando mais precisa, todo conhecimento lhe escapou.

Resta-te apenas o olhar vago de quem pensa grandes coisas,
mas nenhuma delas agora te será útil.
O lápis não escreve nada, a borracha virou brinquedo em suas mãos...

Enquanto observa o piso e pensa
Te observo.

Você tão bonita, tão nova ainda, e tendo que fazer uma decisão desta
Decisão que ainda acredita que durará a vida inteira
Decisão que ainda acredita ser sem volta

Se ao menos você soubesse que tal decisão não é pra vida inteira
Que sempre há chance de mudar
Que a vida lhe aparece aberta em todos os sentidos
Que a precariedade dela se mostra cada vez que tomamos uma decisão...

Ah se você soubesse disso tudo,
Talvez sua cara fechada se abriria em sorriso,
E ao invés dos pensamentos lhe inspirarem o choro
Eles inspirariam o riso de alguém que compreendeu o grande jogo que sempre jogamos na vida

A prova acabou,
A aluna se foi,
E eu fiquei pensando...

Tal fato aconteceu enquanto aplicava uma prova de vestibular no ano passado.





segunda-feira, 11 de abril de 2011

Carta à igreja de Venda Nova









Ah, quanta leviandade....

Quem me dera algum dia entrasse novamente por suas portas e não ouvisse tantas besteiras

Quem me dera se voltasses a ser o que eras, coisa de não muito tempo atrás.

Hoje o que vejo é uma instituição morta, completamente destituída de seus princípios.

Você que tinha tudo pra continuar sendo luz onde estava, ser o adubo que encheria de vida ao seu redor, ser o porto seguro, o abrigo de muitos, se deixou levar por uma nova onda imediatista.


É certo que o processo não se fez tão rápido, exigiu-se tempo para que a "rocha" onde estava firmada se transformasse em areia. Areia esta que se tornou sua morada. Ao invés de uma casa simples sobre a rocha, resolveu criar uma suposta "mansão" sobre a areia. Ah se você soubesse, se ainda lembrasse do que acontece com as casas construídas sobre a areia...


Seus pastores despreparados, sua liderança que não mais se importam com o desenvolver dos membros.

De luteranos, a neopentecostais. De amantes da Bíblia, a amantes dos "milagres", das "curas" dos moveres instantaneos. Caminho grande o pecorrido, mas infelizmente pecorrido rapidamente.


Você que antes cozinhava os alimentos, os preparava com carinho para alimentar as crianças que lhe apareciam, agora se atém às refeições fast food. Lixo que não alimenta ninguém.


Você que antes prezava pela boa alimentação agora se vê sendo nutrida por qualquer "lavagem" que lhe é oferecida.

Os domingos que antes eram dias de alegria, ensino, hj se transformaram em mera formalidade. As escolas dominicais acabaram, o que vemos agora são 10 pessoas ouvindo alguém que não sabe o que fala, tentando parecer "pastor" quando na realidade não passa de mais um cego tentando guiar outros.

Sorte dos que antes saíram, não tiveram mais que ver a deteriorização de um sonho.

Ah se seus fundadores te vissem hoje. O que eles diriam? Será que eles te reconheceriam? Será que se viriam espelhados no que hoje você se tornou?


Tenho certeza que a resposta é negativa. Tenho certeza que eles mudariam várias coisas.


Quanta tristeza tenho quando olho pra você hoje. Em nome de uma suposta "eficiencia", "mercado", "dinheiro", você corrompeu seus princípios. Abriu mão de suas bases para aderir à moda, para aderir ao caminho mais fácil. Para isto, não precisa de pastores preparados, qualquer um pode subir em seu púlpito e dizer o que quiser.


O ensino não precisa ser focado. Pra que? Se o importante é o "suposto milagre" que diferença faz o que vai ensinar? Que diferença fará saber teologia se ela não será usada? Caminho triste este que escolheu para trilhar.


O futuro disso quem pode dizer? Há muito deixou de ser a igreja onde cresci. Há muito resolveu ser outra coisa que não uma igreja no sentido mais amplo. Virou apenas mais uma instituição focada em si, que olha apenas para o seu umbigo, que afasta todos aqueles que te questionam. Adotou uma liderança intolerante com as diferenças, não disposta a pensar seus caminhos, e cada dia mais vai se afastando dos princípios em que foi criada.


O que posso dizer de você, igreja Evangélica Betania de Venda Nova? Você é apenas mais um exemplo local de algo que já acontece em uma escala mundial. Em você é vista apenas a deteriorização disso que hoje ainda se chama "igreja evangélica" que há muito deixou de ser "protestante".


Será que ainda haverá futuro para você ??? Espero que sim, embora você não pareça querer.