segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Email enviado ao sindicato durante negociação salarial




Depois de passeatas e mais passeatas, em 10 de julho o sindicato envia um email falando que seria melhor aceitar a proposta da empresa, em resposta, escrevi este email que segue abaixo



11 de Julho de 2011

No final então, muito barulho por nada.

Deveríamos termos sido mais honestos e aceitado a proposta de uma vez assim que ela foi feita. Tudo acaba por se esvair em mais 2 anos. Se a empresa não incluiria mais nada, e quanto a isso não faríamos nada, pq então nao aceitamos isso na semana passada?

Novamente, o sindicato se mostrou sem força para negociação. O discurso do sindicato não deveria ser o da resignação, afinal, o próprio lema do sindicato é "um sindicato de luta". Percebemos que esta luta não acontece de forma efetiva. E isto apenas corrobora o que a maioria diz do sindicato, que está mais "patronal" que pelo proletariado.

Toda a luta, as paralisações, quer do atendimento da GECOP que parou várias vezes na íntegra, quer do CCO que comprou a briga tb vai por água abaixo sem contar os demais setores da empresa que também se dispuseram a lutar. Aparentemente todos já sabiam que assim que ameaçassem cortar os benefícios o movimento acabaria. Aparentemente sempre foi assim, e não parece que mudará durante muito tempo. Quando finalmente o "arrocho" reincidira sobre a gerencia e a supervisão - uma vez que o corte dos benefícios se aplicam a todos os empregados- o movimento é dissolvido. Se nem nós mesmos nos valorizamos e estamos dispostos a enfrentar as sanções que nos são impostas, quem dirá a prefeitura que em nada é afetada pelo nosso movimento que se mostrou vazio e sem sentido? Por isso que cada ano que passa, o sindicato se torna mais desacreditado por parte dos funcionários.

Aceitemos então a suposta "desumanização" - que foi a palavra muito usada em vários discursos durante as paralisações - que nos é imposta mais uma vez, e aceitemos os benefícios, novamente como moeda de troca.
E tudo continua na mesma. Pra que ir pra porta da Nossa Sra de Fátima se a idéia do movimento já se perdeu? Qual o sentido de ir lá ouvir que em nada progredimos e ouvir o próprio sindicato falar que é melhor se render do que enfrentar sanções??

Este email que vc me mandou é um atestado de óbito do movimento, então neste sentido, não tem porque manter os aparelhos ligados.
Fico triste com a situação, mas tenho que concordar com a maioria ao afirmar que o sindicato não tem força pra lutar. O discurso que "o sindicato somos todos nós" realmente é verídico, mas se votamos por uma representação, ela tem que ser feita com pulso forte, e não se eximir de se posicionar quando chamada. Tal falta de posicionamento é visto no discurso que se esconde por trás da fala "o sindicato somos todos nós", afinal, por trás dele está toda uma dinâmica que não quer ser responsabilizada pela perda. Afinal é muito simples atribuir a culpa da falha do movimento à falta da participação de vários empregados, no entanto, há de ressaltar que se não há a participação dos empregados que se sentem desumanizados é porque eles não veem que aquele que os representaria comprou a briga.

Se a liderança do movimento é fraca, o que vai restar é o proletariado desanimado de reinvidicar seus direitos. Há de se responsabilizar sim o sindicato, e não imputar esta culpa ao proletariado. Claro que se não há a representação de forma efetiva é porque provavelmente o sindicato não vê a causa como sua. Isto é visível. E se o problema não é encarado como sendo meu, não tem porque lutar. É indiferente, e percebe-se claramente que para o sindicato, é indiferente, talvez pra maioria dos empregados também seja indiferente.

Se meu trabalho é algo alheio a mim - dinâmica esta já evidenciada por Marx em seu discurso sobre o trabalho na sociedade capitalista - toda esfera do trabalho aparecerá como algo estranho e por isso a desumanização não será percebida. De que adianta o discurso que afirma a "desumanização" se o próprio trabalhador, o próprio sindicato não se veem desumanizados ? Aceitar os benefícios como moeda de troca é atestar que a desumanização não nos incomoda, e esta talvez seja a maior constatação que chegamos após analisar este movimento infrutífero que fizemos.