sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Uma companhia implacável





A tristeza que o assolava era sempre a mesma. Antiga companheira que há muito o acompanhava sem que nada e ninguém a fizesse sair de perto dele. Como uma sombra que sempre o seguia.

Implacável.

Nele sempre batia uma saudade que ele não sabia do que, uma vontade de tudo e nada ao mesmo tempo. A angústia o atormentava como se nada além dela importasse mais.

No meio da angústia ele procurava por todos os lados algo que nem mesmo sabia o que era. Olhava ao seu redor como quem procurava um algo desconhecido, mas que já presenciou alguma vez. Enquanto procurava, nada mais parecia fazer sentido, e em pouco tempo desistia da busca. Ele já sabia em sua mente que essa busca é vã, mas nem por isso de tempos em tempos voltava a se lançar sobre ela.

Novamente ele para, pega o celular e tenta se confortar com alguma notícia, alguma atualização. Olha, mas tudo parece tão monótono, tão sem vida que é como se tal atitude ao invés de o alegrá-lo apenas o fizesse mergulhar mais em si mesmo.

Ele espera que algo aconteça. Que alguém diga algo, mas ninguém nunca diz. Ou melhor, ninguém importante nunca diz algo. Pessoas estão sempre dizendo algo o tempo todo, mas nem por isso quer dizer que estejamos a fim de ouvi-las. E para o nosso sujeito, são raras as vezes que alguém diz algo que ele esteja minimamente disposto a ouvir.

Paradoxalmente ele possui inúmeros amigos nas redes sociais, vários seguidores em seu twitter, compartilha inúmeros vídeos, notícias, etc. mas nada disso faz com que ele sinta minimamente melhor em relação ao que sente. Sofre do mal contemporâneo do excesso de compartilhamento e o mínimo de troca simbólica. Talvez por isso se encerre em si mesmo se externando no vazio da internet, onde se cria facilmente a ilusão de uma companhia  perene.

Na busca de companhia, toda hora precisa olhar para o seu celular para ver se chegou alguma mensagem, se o ícone do whatsapp está em algum lugar,  se alguém curtiu alguma coisa, comentou algo, retweetou outra coisa, etc. Neste frenesi que o assola, novamente se vê mergulhado na solidão e nada parece aplacar a angústia e a tristeza que sente. Lá esta ela de novo o seguindo.

Implacável.