sexta-feira, 16 de julho de 2010

Texto de filosofia.








Este texto escrevi no terceiro período da faculdade comentando sobre um texto do Luis Borges. Fala sobre filosofia.

O texto de Luís Borges cita a dificuldade de Averróis ao tentar fazer a tradução dos textos de Aristóteles por desconhecer o significado das palavras “tragédia” e “comédia”.

O autor do texto cita posteriormente uma discussão entre alguns amigos de Averróis a respeito de algumas rosas que apenas um deles havia visto.

O problema colocado por Borges é o fato de como que podemos falar de algo que não presenciamos e algo que de nada conhecemos a não ser pelo simples testemunho que temos de outros que o presenciaram.

Como que esse tipo de discurso pode ter alguma credibilidade ? e como falar disso? O autor do texto cita que Averróis se viu nesta mesma dificuldade ao tentar traduzir as palavras gregas desconhecidas quanto ele que tentava descrever como que Averróis tentava fazer este trabalho.

O texto também cita como que os árabes ficaram perplexos quando um deles começa a falar de representação em um teatro presenciado por este , que segundo o texto era algo que os árabes desconheciam naquela época.

Borges coloca a idéia da dificuldade de contar sobre alguma coisa não presenciada pelo ouvinte, e até mesmo por quem presenciou o fato uma vez que há a dúvida sobre como que algo que é dito pode representar a realidade das coisas.

É algo interessante notar que ao mesmo tempo em que no início do texto há uma linguagem que fala de rosas com letras assumindo assim um erro categorial, pois letras não se aplicam a pétalas de rosas; ao mesmo tempo fica evidenciado a possibilidade de, através da linguagem, tornar isso possível, mesmo que seja no campo puramente abstrato da linguagem.


Podemos falar de qualquer coisa. E não necessariamente elas precisam existir. A linguagem permite a criação de coisas que não condizem com a realidade.


Em parte eu concordo com Borges pelo fato de ser realmente muito difícil falar de algo que não temos como conhecer. Especulamos como que algo seria através de alguns testemunhos e tomamos de forma arbitrária aquilo como verdade para podermos seguirmos com o nosso discurso sobre o assunto.

Essa adesão às coisas como verdade só pode ser tomada a partir das crenças que temos. Ao aceitar um testemunho a respeito de algo, cremos que quem fala tem uma credibilidade para falar o que está falando e por isso aceitamos como verdadeiro o fato exposto.


A verdade como crença assume um papel fundamental no desenvolvimento da filosofia, pois acredito que sem essa adesão a algo que julgamos verdadeiro seria muito complicado fazer filosofia.


A filosofia é essa tentativa de falar sobre algo de que não temos provas, e que são aceitas mediante testemunhos. O que eu percebo da filosofia que estudamos é que ela procura tratar de assuntos que são aparentemente simples mas que só se chegam a respostas a partir de reflexões bastante complexas. No final, a resposta também é simples, e é esse talvez um dos melhores aspectos da filosofia na minha opinião.


Estudar Platão, Aristóteles, São Tomás de Aquino, Locke, Hobbes, enfim, toda uma gama de filósofos, e ao mesmo tempo a história da filosofia, que fizeram tantas digressões, argumentos, silogismos para chegar à respostas tão interessantes sobre os assuntos mais simples da vida cotidiana, meio que inspira a vontade de uma investigação sobre as coisas.


Temas tão usados na vida cotidiana como liberdade, vontade, idéias, Deus, adquirem um novo sentido e as vezes são levados a extremos do pensamento.


No final dessa grande tarefa de explicar coisas que para os leigos são tão simples chega-se uma conclusão que por vezes nos dá o sentimento de : (- Por que nunca pensei nisso ?).


A filosofia é algo maravilhoso e inspira o pensamento. Estudar filosofia para mim tem sido algo muito bom e de grande valia. Vejo a filosofia como uma matéria para a vida e não simplesmente para a faculdade. Nunca tive uma visão romântica a respeito da filosofia como não tenho agora.


Acredito na visão grega da filoponia, o amor ao sofrimento que gera o conhecimento. Esse sofrimento é muito recompensatório pois no final pode-se ver que de alguma forma houve alguma progressão no conhecimento próprio e as vezes no conhecimento do mundo .


A filosofia não visa no entanto, um aspecto pragmático ou uma solução para os problemas do mundo, embora vários filósofos tentaram dar algum tipo de solução para se viver melhor aqui. Geralmente vemos uma filosofia pouco preocupada com o que acontece no mundo, embora a filosofia fale das coisas do mundo. Acho que aí temos um paradoxo. Falamos do mundo e não preocupamos com ele no ponto de vista pragmático, mas somente no ponto de vista teórico. O filósofo então coloca-se alheio ao mundo que o cerca e só o acessa para tomar os exemplos que o inspirarão em sua obra.


Concluindo, concordo com Borges ao falar que não podemos falar nada com certeza sobre coisas que não presenciamos, nem sobre coisas que não fazem parte da nossa vida. Tudo o que temos no campo filosófico, temos por um processo de crença. Crença de que quem falou, falou a verdade, crença de que Platão, Averróis, dentre outros existiram e nada mais.


Estudar história da filosofia na minha opinião é tentar percorrer um caminho onde talvez nunca teremos certeza das coisas que os outros falaram, se é que falaram. Acredito que correríamos um sério risco de, se um dia encontrássemos Platão, ele nos dizer que ele não quis dizer nada daquilo que atribuímos a ele, que era totalmente diferente a sua teoria da idéias, sua teoria da educação, dentre outras coisas. Estudar a história da filosofia é muito importante já que pensamos em trabalhar com isso, mas acredito que tudo isso só tem valor porque atribuímos à essa história uma certa credibilidade.