quarta-feira, 14 de setembro de 2011

I had a dream







Hoje sonhei com você.

Foi um bom sonho, voltávamos a nos ver depois de um longo tempo. Longo pra mim talvez, nem tanto pra você.
No sonho voltávamos a agir como crianças, envoltos em conversas inúteis, mas por isso mesmo carregadas do essencial de cada um de nós.
No sonho apareceu um "problema de adulto" que assolava nossos momentos infantis de descoberta, confiança, reciprocidade.
Mas o problema logo foi embora e continuamos nossa conversa inútil.

Há duas formas de vermos os sonhos. "a la Homero" e "a la Freud".

Em Homero os sonhos são entendidos como preságio dos deuses. Os sonhos mostram que uma realidade metafísica quer se comunicar conosco para nos alertar, admoestar, dar dicas do que fazer, montar estratégias em caso de batalha, enfim, o sonho é um bom ou mau preságio de algo que virá. É o ponto de contato com o futuro ainda inexistente para nós, mas já de alguma forma "forjado" num plano eterno. Vemos isso na Ilíada, na Odisséia... Homens sendo avisados pelos deuses, e estes o fazendo através do sonhos.

Sonhar podia ser extremamente enriquecedor ou perturbador dependendo do sonho e suas implicações. Às vezes só os mais sábios eram capazes de interpretar a "mensagem dos deuses". Vemos esta temática aparecendo várias vezes no texto bíblico também, isto não é um privilégio dos gregos, o que mostra um aspecto interessante dessa forma de ver o sonhos. E é importante ressaltar que esta visão perdurou durante vários séculos e só mesmo com Freud que os sonhos foram "desmistificados".

Outra forma de vermos os sonhos é "a la Freud". Para ele, os sonhos são manifestações de desejos inconscientes que "escapam", durante a noite, das barreiras forjadas pelo ego e pelo superego e vêem à tona enquanto dormimos.
Estes desejos são, por definição, amorais. Não há "pudor" no inconsciente. Por isso que as vezes sonhamos com coisas tão estranhas. No sonho, deste ponto de vista, o que está em jogo não é uma realidade metafísica tentando nos falar alguma coisa, mas existe apenas nós mesmos tentando nos dizer alguma coisa.
Para Freud, assim como um carro é movido pela gasolina, o homem é movido pelo desejo. Somos seres desejantes, e é isto que nos constitui enquanto seres humanos.

O que realmente somos, onde realmente somos não está nos nossos domínios. Está escondido em nossas profundezas e talvez por isso não nos conhecemos várias vezes.
Os sonhos nos mostrariam esta dimensão nossa que desconhecemos, eles manifestariam os nossos desejos mais escondidos.

Se o sonho que tive hoje foi uma mensagem dos deuses ou manifestação de um desejo inconsciente de estar contigo não tem como dizer. Embora acredite mais "a la Freud", quem sou eu para negar a possibilidade metafísica?

Sei que quando acordei não gostaria de ter acordado. Estava tão boa a sua companhia em meus sonhos. Estava tão bom reviver com você tão bons momentos.

Voltar ao passado e novamente ter momentos felizes ao seu lado me fez muito bem.