sábado, 2 de maio de 2015

Hegel e a encarnação - Extratos




"Ao mesmo tempo, deve ser aduzida essa precisa especificação, a saber, que a unidade da natureza divina e humana tem de aparecer apenas num ser humano. A humanidade em si mesma, como tal, é o universal, ou o pensamento da humanidade. A partir do presente ponto de vista, todavia, não se trata do pensamento da humanidade, mas de certeza sensível; portanto, é em apenas um único ser humano que essa unidade é vista - humanidade como singular, ou na determinação da singularidade e particularidade. Além disso, não se trata precisamente de singularidade em geral, pois singularidade em geral é, uma vez mais, algo universal. Mas, a partir do presente ponto de vista, a singularidade não é algo universal; singularidade universal é encontrada no pensamento abstrata como tal. Aqui, contudo, é questão de certeza da intuição e da sensibilidade. A unidade substancial [de Deus e humanidade] é o que a humanidade é implicitamente; por conseguinte, é alguma coisa que jaz para além da consciência imediata, para além da consciência e do conhecimento ordinários. Tem, portanto, que opor-se à consciência subjetiva, que se relaciona a si mesma como consciência ordinária e é definida enquanto tal. Por isso exatamente a unidade em questão tem de aparecer para outros como um ser humano singular, posto à parte; ela não está presente nos outros, mas somente em um de quem todos os outros estão excluídos (...)" (HEGEL, G.W.F, Lectures on the Philosophy of Religion. Berkeley, 1988 p. 454)

"Para Hegel, no Espírito do cristianismo e seu destino, Jesus foi confrontado com duas escolhas, dado o peso da tradição judaica e sua concepção de Deus. A concepção cristã do relacionamento entre o humano e o divino era ininteligível para os judeus. Era impossível reformar suas crenças religiosas a partir de seu interior; a alternativa foi desafiá-los do exterior, e isso foi o que ele fez mais e mais, e, como tal, sua mensagem foi puramente ideal e utópica. Isso significou que o sdiscípulos, que eram judeus, compreenderam a natureza de Deus e homem em Jesus ainda no contexto das idéias teísticas judaicas. Em vez de seguir Jesus, ensinando uma mensagem geral sobre a reconciliação entre o divino e o humano em toda a vida, essa reconciliação foi entendida como tendo se completado somente em Jesus. Desse modo, em de a Encarnação se tornar um símbolo no interior da Cristandade para uma completa reconciliação entre Deus e toda a humanidade, o divino e o humano foram entendidos como unidos apenas em uma única vida. " (PLANT, Raymond. Hegel: Sobre religião e filosofia. 2000 p 17)


"Essa representação, porém, é mal entendida, se for vista como um único evento singular, que é limitado ao próprio Jesus. A Encarnação é, antes, uma representação de como o mundo e a história humana são parte da natureza de Deus. Como diz Hans Küng, "Jesus é a revelação daquele Deus homem que é a oculta, verdadeira natureza de toda pessoa". (PLANT, Raymond. Hegel: Sobre religião e filosofia. 2000 p 45)

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