domingo, 21 de junho de 2009

à beira do caminho





Quando Jesus estava saindo da cidade de Jericó, com os discípulos e uma grande multidão, encontrou um cego chamado Bartimeu que estava sentado na beira do caminho, pedindo esmola. (Mc 10:46)

Eis que o semeador saiu a semear, e aconteceu que, enquanto semeava, uma parte das sementes caíram a beira do caminho, e vieram as aves e a comeram. (Mc 4:3,4)

Nisso, dois cegos sentados à beira da estrada ouviram que Jesus estava passando. Gritaram: “Senhor, Filho de Davi, tem compaixão de nós! (Mt 20:30)

Várias coisas acontecem à beira do caminho. Várias coisas acontecem que estão à margem de onde passam as multidões. As sementes que caem a beira do caminho alimentam as aves que voam enquanto ninguém nota o que caiu.
À beira do caminho sempre tem alguém, os que estão à beira do caminho também são vistos por Jesus.
Pena que a maioria quer ser multidão. Quer estar onde todos estão, quer falar o que todos querem ouvir.

Não penso que semear à beira do caminho seja perda de tempo, não penso que semear à beira do caminho seja semear errado. Penso que quem semeia à beira do caminho, é aquele que está as vezes à beira do caminho. O Deus dos ricos é diferente do Deus dos pobres. Assim como o caminho para quem está à beira dele, é diferente para aqueles que estão no meio da multidão. Na multidão não há identidade, não há nomes, não há indivíduos. É apenas multidão. À beira do caminho não há multidão, resta apenas a singularidade, esta várias vezes convertida em solidão.

Marginalizado, i.e colocado à margem; não visto. Assim como os cegos à beira do caminho. Não viam nem eram vistos, estavam à beira do caminho. Estavam marginalizados. E mesmo assim Jesus os dirige a palavra: "O que queres que eu vos faça?" Pena que não tem havido o mesmo sentimento que houve em Cristo. Procurar os que estão à beira do caminho, semear algo para eles.
Deus já dizia: "Nenhuma palavra que sair da minha boca voltará vazia." Se ela não atingir ninguém, pelo menos as aves comerão.

Essa talvez seja a minha esperança. Semeando à beira do caminho talvez a palavra alimente um daqueles que lá estão, talvez alimente um daqueles que não têm parte na terra, e se não o fizer pelo menos as aves comerão.

Procuro seguir a tática incentivada pelo Eclesiastes. Lanço o meu pão sobre as águas, espero encontrá-lo algum dia...