domingo, 7 de junho de 2009

carta nunca lida pelos destinatários






Essa resposta foi dada a um grupo de pessoas de uma determinada igreja, que questionaram uma frase que coloquei no meu orkut. Ela nunca foi lida pelos destinatários. Por causa disso cheguei a ser impedido de lecionar na escola dominical....


Esclarecimento sobre a frase do orkut

“E quando orarem, não fiquem sempre repetindo a mesma coisa, como fazem os pagãos. Eles pensam que por muito falarem serão ouvidos.” Mt 6:7

Devido a diversas manifestações por parte de membros da igreja por causa da frase escrita no meu Orkut, venho por meio deste texto esclarecer o que disse na referida frase.

A frase em questão é a seguinte:

“Prefiro o mantra hindu ao evangélico, o primeiro pelo menos tem um objetivo!”

Como alguns membros fizeram a pesquisa sobre o que seria um mantra, não acho necessário explicar aqui o que seria um mantra. Apenas faço a ressalva de que o mantra hindu tem um objetivo que é levar aquele que o pratica a uma união com Brahma, um dos deuses hindus, por meio da meditação e fruição do prana (uma energia que flui do corpo). O mantra portanto, é uma repetição de certas palavras ou sílabas que levam o adorador hindu a um estágio de união com seu deus.

O que chamei de “mantra evangélico” na frase, são as repetições que fazemos em nossas igrejas enquanto cantamos nossas músicas. Essas repetições às vezes ininterruptas, não contêm um objetivo claro para a maioria daqueles que a praticam, e na maioria das vezes, a prática dessas repetições são irrefletidas e se perguntarmos a algum membro o porquê ele está repetindo a canção, é bem provável que não saiba explicar tal motivo.

O mantra evangélico a que me refiro é uma prática comum dentro de nossas comunidades evangélicas e tem se tornado muito freqüente em nosso meio. Ele se caracteriza por uma série de repetições de determinadas frases juntamente com notas musicais que se repetem indefinidamente, só que sem nenhum objetivo específico. Durante essas repetições é raro ver alguém se aproximando mais de Deus por meio delas, como também uma mudança de vida por parte daquele que pratica tal repetição.

No mantra hindu, o adorador tem um objetivo claro que é o de se tornar um com seu deus, ao passo que no nosso mantra, esse objetivo se perde tornando simplesmente “vãs repetições”. Acredito que a recomendação de Jesus sobre a oração se adequa ao louvor também. Não é pelo muito falar que seremos ouvidos. Devemos evitar as vãs repetições que não nos levam a nada e se tornam extremamente cansativas.

Algumas interpretações da frase demonstram mais um erro de leitura e interpretação do que propriamente um erro conceitual. Chegaram a perguntar o porquê não viro hindu de uma vez, ao passo que a questão que a frase coloca não é essa. A frase faz uma contraposição entre o mantra hindu e o mantra evangélico. “prefiro o mantra hindu ao mantra evangélico, o primeiro pelo menos tem um objetivo!” Era dessa forma que a frase deveria ter sido entendida, e eu acredito que isto está bem claro na mesma...

Muito me espantou o fato das pessoas incomodadas com determinada situação não terem me perguntado diretamente o que tal frase significava, mas simplesmente deduziram uma interpretação (errônea) e levaram à liderança da igreja para que ela viesse falar comigo e pedir explicações. Uma vez que a frase está exposta no meu Orkut, qualquer pessoa poderia deixar um “scrap” ou um “recado” na minha página e solicitar tal esclarecimento que eu teria enorme prazer em esclarecer a tal pessoa o objetivo da frase. No entanto, o que vi é que as pessoas preferem fazer uma leitura apressada e não confrontar diretamente a pessoa em questão. Não fazendo o que a bíblia recomenda que é a confrontação direta em amor. No entanto não foi isso que aconteceu e a meu ver isso revela apenas a falta de maturidade por parte daqueles que evitaram tal confronto.

Espero por meio deste pequeno texto ter esclarecido àqueles que viram a frase e não a entenderam, e estou sempre disposto a quaisquer outros esclarecimentos que se fizerem necessários.

Fabiano Veliq – Filósofo 15/01/2009