segunda-feira, 25 de março de 2013

Respostas?




Quem não procura por elas? Quem não gostaria de saber exatamente cada resposta a cada pergunta? Desde as mais simples às mais complexas. Se não quiser dominar todas elas, pelo menos saber por qual caminho percorrer para encontrá-las, afinal acredito que se já soubéssemos todas as respostas para tudo o tempo todo a vida seria extremamente sem graça e sem sentido. Mas ao mesmo tempo, se soubéssemos onde pudéssemos encontrar cada resposta a cada pergunta, bastando para isso um pouco de esforço de nossa parte, acredito que muita gente ficaria extremamente feliz com a possibilidade e não cessaria a cada vez que um novo problema surgisse.

Talvez esta idéia tenha sido o grande propulsor da ciência no século XVII, XVIII e XIX onde a promessa de que um método seria capaz de resolver todos os problemas encantavam vários estudiosos desta época. A noção de que se usássemos nossa razão da forma correta descobriríamos todos os segredos do universo, de nós mesmos, etc. Uma supervalorização da racionalidade que várias vezes ainda vemos hoje em dia ser ingenuamente usada em vários tipos de discursos. Um iluminismo que levou o homem à escuridão. Uma promessa que não se cumpriu, enfim o desejo das respostas definitivas não foi suprido.

Outras pessoas costumam falar que Deus tem as respostas para os nossos problemas. Se não para todos, pelo menos para a maioria. Este grupo de pessoas afirma que Deus teria um "propósito" em cada coisa que Ele faz, como se tudo estivesse já arquitetado em sua mente e que mesmo se não entendemos, podemos confiar que tudo está no controle Dele. Esse Deus teria as respostas, e quando quiséssemos saber algo sobre nossa vida, sobre o que nos sucede, basta perguntarmos a Ele que Ele nos responderá.

Curiosamente o Deus cristão se afasta um pouco desse Deus "estigmatizado" acima. Se pegarmos vários relatos bíblicos vemos que Deus quase nunca responde às perguntas da forma como se espera que um Deus responda. Se tomarmos o exemplo de Jó que quando pergunta a Deus o motivo de sua miséria recebe como resposta diversas outras perguntas temos uma prova disso que estou falando. O exemplo de Jesus na cruz também ilustra o ponto aqui. Ao clamar "Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste", o que ele obtém é nada além de um silêncio que em nada o responde. O mesmo exemplo de Jó se aplicaria ao Eclesiastes que termina o seu livro sem nenhuma resposta, apenas uma constatação de uma esperança a ser buscada nesta vida. Mas claro que vemos algumas passagens onde Deus responde de forma mais "direta", como por exemplo no caso de Gideão e sua prova com o cobertor de lã, ou Abraão conversando com Deus sobre a destruição de Sodoma e Gomorra. Curiosamente a maioria destas "respostas diretas" de Deus se encontram no Antigo Testamento, muito provavelmente pela visão que se tinha de Deus naquela época. No Novo Testamento não temos relatos destas "respostas diretas", exceto talvez no caso de Paulo no caminho de Damasco.

Curiosamente o Bhagavad Gita mostra um outro tipo de Deus. Arjuna quando se coloca no meio da batalha e fica em dúvida se deve ou não matar seus parentes pede ajuda a Shiva e lhe pergunta sobre o que deveria fazer, e Shiva lhe responde exatamente o que ele gostaria de saber, lhe informando o caminho para a iluminação e dando diretrizes sobre o que deve ser feito em relação a batalha. A resposta de Shiva compreende basicamente todo o Bhagavad Gita. Obviamente as respostas de Shiva se dão várias vezes de forma bastante enigmáticas, mas ainda assim o livro todo se constitui como um diálogo entre Arjuna e Shiva.

Mas o que quero apontar com isso? O simples fato de que as mais diversas formas de construção para dizermos onde encontrar as mais diversas respostas talvez não passem de meras tentativas, algumas frustradas outras nem tanto, dependendo sempre do quão dispostos estamos na procura delas. A tentativa cientificista herdeira do iluminismo ainda está em voga e hoje muito impulsionada pelas pesquisas das neurociências. As respostas de cunho religioso também estão em voga dado uma nova onda espiritualista que se mostra no século XXI com muita força. Será que através de algum destes caminhos encontraremos as tão sonhadas respostas? O homem, definido enquanto "Ser que pergunta", não teria o seu fim se encontrasse todas as respostas?

Como diria o profeta: "O meu justo viverá pela fé", mas o que é a fé senão uma eterna dúvida? E o que é a dúvida senão o formular de mais perguntas?