quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Considerações sobre matemática...

8 ------------------ 9


Entre um 8 e um 9 há um universo infinito de números menores.

Mas para que do 8 se passe ao 9, ou do 9 ao 8, salta-se esse universo infinito que os separam

E só assim podemos fazer a ponte que une um ao outro.

A ponte, essa não dá para explicar como foi feita, mas foi por ela que os dois números se viram unidos dentro do conjunto dos números naturais.

O segredo foi o salto. Esse também, inexplicável.

domingo, 1 de novembro de 2009

Sobre o caminho de Emaús






Uma amiga minha colocou em seu blog um texto sobre o suicídio. Achei o texto muito interessante e confesso que, no final, me fez lembrar o texto de Lucas 24 onde os discípulos estão caminhando para Emaús e Jesus aparece a eles.

Isso porque, as vezes o caminho é longo. As vezes precisamos de alguém que nos faça relembrar a esperança perdida, que façam os gestos que nos farão converter, que nos farão ver as boas novas que estão sempre presentes diante de nós, que farão com que nossos olhos se abram, contemplem o que precisa ser contemplado. Faça arder nosso coração pela vida que está diante de nós, que está a nosso alcance enquanto caminhamos, mas que as vezes não percebemos pois a esperança já se foi há muito tempo. Nossos planos, nossos prospectos, se perderam por algum motivo.

O que nos resta é apenas a lembrança da morte, a lembrança dos maus momentos que passamos, lembrança da morte daquela que, talvez seria nossa única esperança para ver o mundo de forma diferente.

As vezes precisamos de alguém no caminho conosco, alguém que nos faça entender que talvez foi apenas uma fase, que há esperança ainda, que ela aflora diante de nós. Que o sol voltará a brilhar. Talvez seja isso que Jesus fez aos discípulos. Talvez seja isso que devemos ser para aqueles que estão no caminho conosco. Anunciadores da esperança.

Por isso me fez lembrar o texto de Emaús.



Acho interessante nesse texto o fato de Jesus não ter se revelado diretamente a seus discípulos, mas antes, estes colocaram pra fora todas as suas dúvidas, seus anseios, suas posições sobre o ocorrido.
Eles expuseram aquilo que os estavam incomodando, aquilo que incomodava a alma deles. O discurso dos discípulos era sem esperança. Era um discurso triste, expondo que talvez toda a confiança depositada em Jesus teria sido em vão, e que nada mais poderia resolver a situação.
Para os discípulos, não era suficiente eles terem ouvido que algumas mulheres teriam ido ao sepulcro e visto o túmulo vazio.
Não é no nível do discurso que as coisas se resolveriam, que a coisa tornaria a ter sentido. Eles precisavam de algo mais. Eles precisavam "ver" algo. Precisavam contemplar novamente a esperança que havia se perdido.

Jesus então passa a expor aos discípulos tudo o que os profetas e Moisés falaram sobre ele. Começou a explicar que, seria necessário o Cristo padecer, cumprir o propósito do qual os profetas e Moisés haviam falado.
Mas mesmo essa exposição não foi convincente aos discípulos. Mesmo assim, eles não conseguiram fazer as associações necessárias. Darem o salto e contemplar o além das palavras.

Eles insistem pra Jesus ficar com eles. "Fica conosco, pois é tarde e o dia já declina" foi o que disseram a Jesus.

Nesse instante a mágica aconteceu. Jesus sentou à mesa tomou o pão, abençoou-o e o partiu. Nesse instante, mediado por um gesto, é que os olhos deles se abriram.

O gesto de Jesus à mesa, falou muito mais do que todas as palavras durante o caminho.

O gesto fez com que eles tivessem os olhos abertos. Contemplassem para além das palavras, das histórias, compreendessem realmente o que estavam acontecendo.

Só então esclarecidos, que eles se voltam um para o outro e dizem: "por um acaso, não ardia o nosso coração quando, pelo caminho, ele nos falava, quando abria as escrituras?"

Tomar o pão e abençoar, foi o gesto que fez com que o dito, adquirisse uma outra dimensão. O gesto falou muito mais que todas as palavras durante o caminho.

Talvez fosse essa a dimensão das parábolas que os discípulos não conseguiam entender.

Que parábolas, são milagres em palavras, e milagres, são parábolas em ação.

Só quando se contempla para além do que é dito, que consegue ver o que realmente importa. No caso do caminho de Emaús, o gesto foi o definidor das coisas.

Mas não podemos menosprezar o caminho por causa disso. No caminho há a revelação da parte dita. Há a exposição daquilo que levaria os discípulos a contemplar o que realmente importava. Mesmo que as palavras não fossem "definidoras", elas eram necessárias para que eles dessem o salto, e vissem o que precisava ser visto.

No caminho vemos o discurso da "desesperança" dos discípulos, seguida do discurso da "esperança" do Cristo, sendo que no final, temos o gesto, que transcende a esfera das palavras, e os fazem dar meia-volta (converter) e irem aos outros contar o que eles viram.

Palavras. Pequenas ferramentas para ajudar os discípulos a contemplarem o que era para ser visto. Nesse caso, poderia ser dito: Quem tem olhos para ver, que vejam.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Vanité des Vanités






What happened with us?
Why do you seem so far from me?
Where are our talks?
Where are the cumplicity we had?
Why the silence reigns upon us like a despotic king?
Where are the preciousity of the company?
Why the hours seem so long
Why the nights are so cold?
So empty?
Why this emptyness botters me?
Why this feeling that the "nothing" is my friend?
I'm so tired, so many things to do, so many compromises,
Wish I could stop. Wish i could feel again the happiness i had when i was with you.
Time is ticking, our time is ticking with him
How can we restore our moments?
Some people say we should pray
Some people say we should look for help
Some people say nothing (the most)
Maybe the most are the worst.
Maybe if at least some people listened to me
If they at least asked me something
Not that i would tell something, but at least i'd know that somebody care, as i know you care.
it's pity that our society forbid the most of the questions...

But

Maybe there is any hope.
Maybe little moments of joy help us to see the life with different eyes
And, as Jesus in some moment said: The eyes are the light of the body. If they are good, the entire body would be luminous.

I could say i'm trying to have different eyes
trying to see the situacion as a learning of something.
Trying to see this world we created as a fase.
Maybe a permanent fase.

I don't want attention from strangers, i don't need pity eyes on me
I just need to know that you are here for me, no matter what, no matter when or where.
Your presence makes me feel good, makes me feel alive, makes me feel fine.
Please don't go away. Don't let me go away.

I don't have all the answers, probably i never will.

Please stay !

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

The wearest sonnet..





Please sleep tight
I don't wanna interrupt you
My wish was just talk to you
Nothing more else tonight

The talk, nothing serious
Just some feelings i had
Just some words

Pehaps these words touch something in you
Pehaps they set you free
Pehaps my soul would be exposed
Pehaps these words will set ME free.

My lyrics are full of wishes
Unfortunaly they must be hidden
Waiting maybe a key, to open the forbidden

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

ausências






Pude novamente estar ao seu lado hoje.

Hoje que foi um dia bem mais light que todos os outros tem sido, pelo menos em uma das esferas de todas as coisas que nos acontecem durante um dia.

Pude novamente sentir-te perto, não tão distante, mas apenas ali.
Ah como aprecio tais momentos. Como que essas "presenças" fazem bem.

Melhores que as ausências. Penso que as ausências são importantes.

Como já dizia Válery: O que seria de nós sem o auxílio das coisas que não existem? Não podemos negar o valor das ausências.

Pelo menos em uma esfera da vida a roda girou mais livre, no entanto, em outra esfera, não foi um dos melhores dias. Nada demais, apenas não foi um dia bom. Apenas trocaria alguns episódios por outros.

Mas quem não faria isso alguma vez ou outra?

Quantas vezes queremos mudar a ordem das coisas? Queremos que as coisas sejam diferentes, que a roda gire para o outro lado, ou simplesmente pare de girar para que possamos fazer alguma coisa. Penso que todos já pensamos assim.

Hoje pensei assim. Pensei que talvez a roda pudesse girar de forma diferente, poderia parar talvez.

Enquanto escrevo escuto. Me escuto, escuto uma música. Boa música.

Mente cansada. Muitas coisas para pensar, muitas pra fazer, buscando talvez mais momentos alegres, pequenos pedaços de uma boa eternidade, bons momentos.

Ah tantas situações para nos impedir de termos bons momentos !!!!! Pena que só depois percebemos que seria melhor ter aproveitado a companhia que nos estava sempre tão acessível mas que a deixamos ir por nada.

Os bons momentos nos fazem bem, a ausência deles nos fazem crescer várias vezes.

Penso que cresci um pouco mais nesses dias.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Leituras... Simone Weil...





Aprendi recentemente sobre o conceito de "leitura" em Simone Weil, uma filósofa do século XX com uma filosofia tanto teórica quanto prática de extrema consistência.

Achei interessante como ela aborda tal conceito afirmando que tudo na vida se dá através de "leituras" que fazemos. Nos lemos, lemos o outro, e é nessa leitura que lidamos com as pessoas no dia-a-dia.

Uma virtude de nossa parte seria aprender a "ler" o outro não apenas como lemos a nós mesmos, mas como o outro gostaria de ser lido. Afinal, penso que todos nós queremos ser lidos pelos outros.

Primeiramente penso que já é uma dificuldade enorme "ler" o outro. Afinal de contas, várias vezes o que fazemos é nos ler no outro. O outro em si não importa muita coisa na maioria das vezes, mas apenas na medida em que posso me ler nele. Ficamos sempre como quem se projeta no outro e passa a se amar nele. Nos tornamos narcisos nos contemplando frente a água sem conseguir ver toda a beleza do rio, mas apenas nossa imagem refletida ali. Acabamos morrendo afogados em nossa própria imagem.

Consiste em ato virtuoso, o aprender a ler o outro como ele é. Claro que podemos achar semelhanças entre nós, mas o que dará real beleza na figura do outro é naquilo que ele se difere de nós. Consiste em virtude, ver toda a beleza do rio para além de nossa ínfima imagem refletida no outro. Ver a parte branca do cubo de gelo, a parte não transparente onde reside a especificidade de cada um.

Aceitar as folhas amarelas no meio das vermelhas, percebendo suas diferenças, mas lendo nessas diferenças uma beleza.

Tenho aprendido a ler alguns próximos como eles são.

"Ame o próximo como a ti mesmo, mas não o leia como a ti mesmo."

Beleza da diversidade.

Em segundo lugar penso que devemos "permitir" que os outros no leiam como eles querem nos ler, e não como queremos ser lidos por eles.
Essa é uma parte difícil. Geralmente queremos ser vistos como os melhores, os mais amigos, os mais simpáticos, os mais inteligentes etc... E não permitimos que os outros façam leituras de nós que desminta essa imagem que criamos para nós mesmos.

Qualquer um que discorde da leitura que fazemos de nós mesmos é logo visto como inimigos, e por isso devem ser "eliminados". Aspecto da intolerância reinante hoje em dia.

Talvez seja um aspecto de tolerância permitir uma leitura livre.

Recentemente tive uma experiência desse tipo. Agradeci demais a pessoa que me falou a forma como ela me lia. Vi que sua leitura estava muito mais próxima da realidade do que a leitura que eu estava fazendo de mim mesmo. Foi um momento de crescimento para mim, e para nossa amizade. A partir de então tenho constatado que várias vezes minha leitura sobre mim está errada, precisa ser vista pela "lente" de outra pessoa.

Achei interessante o conceito de "leitura" de Simone Weil. Me fez pensar muitas coisas...

domingo, 11 de outubro de 2009

sobre o uso do Dimer.






Hoje pela manhã fui orientado sobre o uso do dimer.

Quem me orientou falou de forma bem direta: "Aqui, você está lançando muita luz nesse ambiente. Não consigo entender o porque esteja fazendo isso, é melhor usar um dimer, ajustar melhor a luz ao ambiente que você tem. Se quiser, eu te ajudo a fazer isso. Vamos re-formular a quantidade de luz que brilhará nesse ambiente para que ele fique mais agradável."

Achei a idéia maravilhosa. Sempre pensei que quanto maior a quantidade de luz, melhor. Estava errado. Mas graças a Deus fui orientado ao uso do dimer.

Para quem não sabe, o dimer é aquele aparelhinho que se usa no interruptor para regular a intensidade da luz do ambiente.

Excesso de luz muito rápido, faz mal, acaba atrapalhando de ver o que importa, e pode fazer com que a pessoa se sinta mal diante do ambiente.

O dimer serve para regular esse excesso de luz. Nem sempre muita luz é bom. O ambiente fica muito claro, as coisas que são melhores vistas com pouca luz ficam invisíveis sem o auxílio do dimer.

É preciso a quantidade de luz certa para que o que deve ser visto seja visto por quem queira ver.

Erramos ao tentar jogar muita luz sobre ambientes ainda pouco conhecidos, é bom que se conheça o ambiente para que se consiga ajustar o dimer de acordo com o que se quer mostrar.

Mostrar tudo de uma vez só não faz bem pra maioria dos ambientes.

Ah quantas vezes queremos lançar muita luz onde ainda não conhecemos todas as quinas. Daí erramos, damos más impressões e acabamos de vez em quando ofuscando ao invés de revelar.

Uma das virtudes que podemos ter é aprender a usar o dimer. Ajustar a luz ao tempo, ao espaço, ao momento. Tudo isso pode ser feito com ele.

Grande ferramenta na convivência uns com os outros é o dimer.

Acho que aprendi a usá-lo um pouco hoje.

Agradeci bastante a informação sobre o dimer. Aprendi talvez a beleza da penumbra em ambientes mais fechados.