quinta-feira, 18 de março de 2010

Apenas um texto





Sinto como se a alegria tivesse ido
Sinto como se os momentos felizes nunca mais voltassem
Como é triste habitar nesses ambientes gélidos, sem vida.
Como é triste pensar que cada dia que passa a chance do sol voltar a brilhar vai se esvaindo
Pensar que talvez a esperança esteja morrendo junto ao crepúsculo que se aproxima.

Talvez a parte mais triste seja ver tão densas trevas pairando ao meu lado sem poder fazer nada para que elas se apartem.

Antes eu até achava que poderia ser talvez o portador da luz que iluminaria a situação e faria tudo voltar ao normal.

Achava até que tinha tal poder para transformar trevas em luz.

Mas se nem o muro que você ergueu eu consigo derrubar, se nem o forte de onde contempla todas as coisas eu consegui alcançar, como consiguirei apartar as trevas ?

Ontem, conversando com uma amiga falei com ela que várias vezes um dos nossos erros mais comuns é tentar tratar o que é impossível como possível e vice-versa.

Talvez esteja me conscientizando da impossibilidade da volta, da impossibilidade de novamente ver dias claros dentro de ambientes tão inóspitos.

Talvez seja hora de ver como possibilidade apenas o ambiente gélido, apenas o crepúsculo, não mais esperar o sol desapontar, não mais esperar a vida renascer, não mais pensar que o passado voltará, não mais pensar que o futuro será melhor que o presente.

Enfim, abandonar a esperança.

Mas será que conseguimos abandonar a esperança ? Será que resta vida para além da esperança de que o futuro será melhor que o presente ? E se houver, que tipo de vida seria essa ?

Talvez reste a esta tal vida, a paz. A paz daqueles que já não esperam mais nada. A paz dos que se renderam. Paz que excede nosso entendimento. A paz do coração quieto, que se sossegou porque sabe que tudo aquilo que estava à sua mão para fazer foi feito.

A paz como corolário de uma vida cheia de esperança.