quinta-feira, 8 de outubro de 2009

O cinza dos dias nublados







Adoro o cinza dos dias nublados,
adoro a chuva que cai molhando os lugares antes áridos
trazendo um ventro frio, porém, não gélido a ponto de esfriar nossas almas.

Chuva que traz em si promessas de vida enquanto rega as plantas, enquanto molha o chão enquanto nos molha, renovando talvez aquilo que deveríamos já ter deixado se renovar.

Doce calmaria de um dia nublado. Doce visão a agua caindo e trazendo a beleza de mais um lindo dia chuvoso.

Não sou fã de dias ensolarados. Reconheço que há certa beleza ali, mas é tudo muito claro, tudo muito a vista. Penso que a beleza do dia nublado está naquilo que não se mostra nele. Está naquilo que ele esconde. Mas esconde, ao mesmo tempo tentando se mostrar. Tentando se dar a conhecer de uma forma rejeitada por muitos.

Várias pessoas reclamam dos dias nublados. Reclamam da calmaria que há neles. Reclamam que eles não se expressam da forma como deveriam. Reclamam que não dá pra fazer nada durante eles.

Ah se essas pessoas conseguissem ver a beleza que há nos dias nublados. Ah se elas conseguissem compreender que a mesma beleza do dia ensolarado se encontra no dia nublado, está ali também, mas apenas escondida. Revelada de outra forma.

Apenas quem tem olhos para ver que vêem.

Mas é preciso paciência com os dias nublados. Como escondem sua beleza, o processo para sua apreciação é lento, mas quando se conhece e se compreende os dias nublados, sua beleza salta aos olhos, é talvez mais visível que a beleza dos dias ensolarados.

Nem tão claro, nem tão escuro, mediania.

Adoro o cinza dos dias nublados