segunda-feira, 27 de julho de 2009

O evangelho anacrônico



Evangelho: Definição: Boas novas

anacrónico adj 1. Que não condiz com a cronologia. 2. Que destoa dos usos da época a que se atribui.

Cada vez mais vejo como os textos bíblicos são usados por conta própria por parte dos líderes das igrejas evangélicas.

Não há o menor pudor na utilização do texto bíblico. Usa-se como quer e na hora que se quer pra justificar qualquer coisa.

As anacronias dentro desse contexto são muito comuns. O evangelho da anacronia, portanto visa a justificação de dogmas, ou pontos de vistas, geralmente parciais e que em nada tem a ver com as propostas bíblicas.

O salto do AT para o NT são os mais comuns. Textos que deveriam ser analisados dentro dos contextos que foram escritos são colocados para fora deles e usados para justificar pontos de vista que beiram ao absurdo.

O fato de “ter que usar a bíblia para justificar qualquer coisa” acaba provocando as anacronias que vemos nas igrejas de hoje.

Sem contar que o termo anacrônico pode ter outro sentido que talvez seja até mais sério. É um evangelho que se afasta de Cristo, e espalha as “más novas” e não as boas novas. Espalham dogmas e não a pregação de Cristo. O evangelho pregado acaba virando o oposto do evangelho que deveria ser praticado.


Uso o termo anacronia no segundo significado dado pelo dicionário. O uso que destoa da época a que se atribui. E isso, se prestarmos atenção é o que mais acontece em várias pregações que ouvimos nas igrejas evangélicas.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

I have a Friend

I have a friend in India. Her name is sumana. We met at orkut about 2 years ago.
She entered at one comunity i made called "I love jazz and blues". We both enjoy jazz and blues.

Since that time, we talk everytime we met at the net. She is a lovely person. A great woman. She is that kind of person who talks about everything. I really love to talk to her.

She teached me a lot of stuffs about the hindus. She Gave me a lesson about the hindu's mithology. She talked to me a lot of things about India that i didn't know.

We talk about many things. She is a good friend of mine. She was with me online when i knew about the result of the master at the FAJE. She rejoiced with me about my new job.

To me it's really fantastic have this kind of relationship with a person so geograficly distant, but at the same time so near.

Sumo, this post is for you. Thanks for your friendship, for your talk, your lessons, your jokes.
Thanks for all !!!!!

no princípio eram os Vedas





Esse foi o título que dei para uma série de aulas que dei na escola dominical um tempo atrás. Estávamos falando sobre religião, e como sabemos, a religião hindu é a primeira religião "institucionalizada" que existiu e ainda existe até hoje.
Não preciso dizer que a frase que faz alusão ao versículo de João 1:1 (No princípio era o Verbo) foi vista com maus olhos por alguns. Interessante que mesmo a gente explicando as coisas, ainda se percebe aqueles olhares incomodados, ou aquela surpresa por algo que a pessoa não esperava que viria...
Enfim, as aulas transcorreram bem, mas os olhos suspeitos me acompanharam até sair dos "Vedas" e chegar ao "Verbo"...
Já tive outros contratempos por fazer alusão aos hindus. (isso está no texto do blog intitulado "carta nunca lida pelos destinatários" ), esse sobre a carta foi até bem sério... Não vou contar aqui, senão ficaria muito cansativo para se ler....
Escrevi esse texto porque lembrei desse episódio que aconteceu... achei legal compartilhar....

sábado, 11 de julho de 2009

velha canção....

Quando eu era mais novo, na igreja que eu frequentava (digo frequentava, porque há muito tempo, tal igreja não existe mais. O templo existe, algumas pessoas existem, mas a "igreja" que eu frequentava não mais existe lá), se cantava uma música que eu gosto muito... resolvi colocá-la aqui, não sei de quem é a letra...

Eu quero uma música simples
Bem fácil de se cantar
Que nesses momentos de crise
Me ajude a rememorar...

Eu quero a canção mais singela
Pra mente nunca se esquecer
Nas lutas que a vida revela
Que Teu é o controle e o poder

Que abriste o mar pelo meio
Que as ondas fizeste parar
E a fúria do vento que veio
Disseste assim: - Sossegai

Porque é Deus maravilhoso
Deus que os conselhos nos dá
Eterno, Deus forte e formoso
Príncipe, princípio da paz.

sábado, 27 de junho de 2009

Michael Jackson...





Confesso que fiquei muito entristecido com a morte do Michael Jackson. Sinceramente não sei porque ainda. Realmente me entristeceu. Escrevo esse texto como desabafo.


Vi e ouvi os vários documentários que apareceram sobre ele na TV. Milhões de pessoas entristecidas por causa de Michael Jackson.

- Morreu novo, alguns diziam. - Descansou ! diziam outros. Mesmo assim, a dor é sempre para os que ficam.


Realmente um mestre naquilo que fazia. Teve lá seus problemas, mas quem não tem? e mesmo assim procurou ajudar as pessoas com aquilo que tinha, iniciou vários projetos sociais, se colocou a favor daqueles que quase ninguém se coloca a favor.


A morte dele me remeteu diretamente ao Eclesiastes 1. "Vacuidade de vacuidade... de que proveito tem o homem de todo o trabalho com que se afadiga debaixo do sol? " Sentimento de vazio, de nada. Pode parecer estranho esse tipo de sentimento por uma pessoa que nem é tão próximo assim.


Talvez de uma certa forma haja um tipo de identificação. não sei... O que sei é que pensei naquilo que o Eclesiastes fala, não só no primeiro capítulo, mas várias vezes durante o livro todo.


Celebre a vida - dizia o Eclesiastes - Afinal pra onde vc vai depois de morrer não há obra alguma. Assim como Epicuro, o Eclesiastes incentiva uma vida de alegria, uma alegria bem medida. "coma seu pão com alegria", viva essa vida que Deus te deu.


Não é porque não se sabe o que virá depois da morte que devemos deixar de viver. Se virá o céu, se virá o nada, e daí? Vivamos com o que temos. Sabendo que talvez tudo seja vazio e sem sentido. Sabendo que talvez a única coisa que fica seja o que deixamos com os outros, ou para os outros...


(Apenas não diga isso para vários evangélicos, pois eles têm a certeza do que virá depois da morte !!!! )


Interessante que o castigo dos ímpios é que ninguém se lembraria deles. viver na memória é algo que cabe aos justos.


Diz o Eclesiastes: "Assim também vi os ímpios, quando os sepultavam; e eles entravam, e saíam do lugar santo; e foram esquecidos na cidade, em que assim fizeram; também isso é vacuidade" (Ec 8,10)...


Penso que devemos fazer sempre coisas que nos possibilita vivermos na memória das pessoas. Não porque queremos isso, mas porque isso é bom. simplesmente por isso. Isso é coisa dos justos.


Jesus já dizia que pelos frutos conhecemos as árvores. Uma árvore que dá bons frutos é uma boa árvore. Que sejamos boas árvores, que o mundo colha nossos frutos, comam, se satisfaçam...


Continuo triste por causa de Michael Jackson. Adoro suas músicas, suas danças... Pelo menos em minha memória ele viverá pra sempre... Vida eterna...

domingo, 21 de junho de 2009

à beira do caminho





Quando Jesus estava saindo da cidade de Jericó, com os discípulos e uma grande multidão, encontrou um cego chamado Bartimeu que estava sentado na beira do caminho, pedindo esmola. (Mc 10:46)

Eis que o semeador saiu a semear, e aconteceu que, enquanto semeava, uma parte das sementes caíram a beira do caminho, e vieram as aves e a comeram. (Mc 4:3,4)

Nisso, dois cegos sentados à beira da estrada ouviram que Jesus estava passando. Gritaram: “Senhor, Filho de Davi, tem compaixão de nós! (Mt 20:30)

Várias coisas acontecem à beira do caminho. Várias coisas acontecem que estão à margem de onde passam as multidões. As sementes que caem a beira do caminho alimentam as aves que voam enquanto ninguém nota o que caiu.
À beira do caminho sempre tem alguém, os que estão à beira do caminho também são vistos por Jesus.
Pena que a maioria quer ser multidão. Quer estar onde todos estão, quer falar o que todos querem ouvir.

Não penso que semear à beira do caminho seja perda de tempo, não penso que semear à beira do caminho seja semear errado. Penso que quem semeia à beira do caminho, é aquele que está as vezes à beira do caminho. O Deus dos ricos é diferente do Deus dos pobres. Assim como o caminho para quem está à beira dele, é diferente para aqueles que estão no meio da multidão. Na multidão não há identidade, não há nomes, não há indivíduos. É apenas multidão. À beira do caminho não há multidão, resta apenas a singularidade, esta várias vezes convertida em solidão.

Marginalizado, i.e colocado à margem; não visto. Assim como os cegos à beira do caminho. Não viam nem eram vistos, estavam à beira do caminho. Estavam marginalizados. E mesmo assim Jesus os dirige a palavra: "O que queres que eu vos faça?" Pena que não tem havido o mesmo sentimento que houve em Cristo. Procurar os que estão à beira do caminho, semear algo para eles.
Deus já dizia: "Nenhuma palavra que sair da minha boca voltará vazia." Se ela não atingir ninguém, pelo menos as aves comerão.

Essa talvez seja a minha esperança. Semeando à beira do caminho talvez a palavra alimente um daqueles que lá estão, talvez alimente um daqueles que não têm parte na terra, e se não o fizer pelo menos as aves comerão.

Procuro seguir a tática incentivada pelo Eclesiastes. Lanço o meu pão sobre as águas, espero encontrá-lo algum dia...

sexta-feira, 19 de junho de 2009

a igreja narcísica








Muita gente já deve ter ouvido falar a respeito do "mito de Narciso". Para os que não conhecem ...


Nesse mito, Narciso é filho da ninfa Liríope, que significa voz macia e de Céfiso, deus fluvial, aquele que banha, inunda, conhecido por sua insaciável energia sexual, em cujas margens nenhuma ninfa poderia chegar e sair intacta.
Liríope passeava quando se aproximou das margens do rio, Céfiso a aprisionou e desse contato a engravidou. Para ela, tal fato foi repugnado, porém deu à luz a um menino de beleza inimaginável. Logo, Liríope atormentou-se, pois para os deuses, a beleza fora do comum é algo condenável e temido, pois possuir a beleza à altura das divindades é algo passível de punição.
A mãe de Narciso, em sua inquietude, decidiu consultar Tirésias, um velho sábio cego, que tinha o poder da adivinhação, para saber sobre o futuro de quem foi concebido em circunstâncias tão peculiares. Tirésias lhe respondeu que Narciso viveria até a idade madura, na condição de jamais ver sua própria imagem (Brandão, 1989).
Condenado a não ver sua própria imagem, os anos se passaram e ele tornou-se um adolescente muito belo, arrogante e desdenhoso por suas qualidades. Começam as paixões pelo filho de Céfiso, muitas o desejavam, capturadas por sua beleza. Porém, Narciso não se rendeu a nenhuma dessas paixões, ficando indiferente.
Dentre elas, havia uma em especial: a Ninfa Eco que havia regressado do Olimpo após a vingança de Hera, esposa de Zeus. Eles viviam em discórdias conjugais, pois Zeus era libertino, promíscuo e infiel.
Em obediência ao grande Zeus, Eco havia enganado Hera, enquanto ele a traía. Ao descobrir isto, Hera ficou extremamente humilhada com as aventuras de Zeus. Ele desonrou o que ela considerava de mais sagrado: o matrimônio. Então, Hera condenou Eco a não mais falar, limitando-a a repetir os últimos sons das palavras que ouvisse. Amaldiçoada, Eco foi compelida a nunca mais se expressar, replicando as vozes que não as suas.
Certo dia, Narciso estava no bosque e Eco, amante das aventuras campestres, o viu, encantou-se com sua beleza e o seguiu. Ele ficou perdido e foi surpreendido pelo barulho dos passos de alguém, gritou e discorreu a seguinte situação:
Narciso: Há alguém por perto?Eco : Há alguém.Narciso: Vem!Eco: Vem!Narciso: Por que foges de mim?Eco: Por que foges de mim?Narciso: Unamo-nos aqui!Eco: Unamo-nos!
O primeiro encontro foi marcado pela imagem bela de Narciso, que se deixa seduzir pela bela voz de Eco, que na verdade é a sua própria, escutando as palavras de Eco de modo a ouvir o que desejava. Eco, por sua vez, se viu diante da maldição: não ser amada pelo que é, mas como reflexo de Narciso nos sons que repetia. O desencontro e o mal-entendido se instalam.
Tal desencontro culminou na rejeição de Narciso, e Eco, após ter sido repelida tão friamente, se isolou numa imensa solidão e se transformou num rochedo condenada a repetir somente os derradeiros sons do que lhe diziam.
As demais ninfas, revoltadas com a insensibilidade de Narciso, pediram vingança à deusa Nêmesis, Deusa da Justiça. Em certa caçada, ávido por água, ele foi até o lago e observou uma sombra e ao olhá-la, ficou enfeitiçado com sua imagem e dali não saiu mais até sua morte, desgostoso com a impossibilidade de consumir sua paixão.
O mandato cumpriu-se e ele não conseguiu jamais alcançar a união amorosa com o objeto pelo qual se apaixonou. Ali ficou até sua morte e, quando procuraram seu corpo, encontraram apenas uma flor amarela, solitária e estéril - Narciso.


Narciso acaba por se apaixonar por si mesmo e com isso morre. Algo muito semelhante acontece hoje com o que chamamos igreja evangélica. Fica-se tão encantados com a aparente beleza, encantado em como se é bonito, em como Deus os ama, em como são "sacerdócio real, povo adquirido, propriedade exclusiva de Deus", que se esquece de olhar para o próximo, para aqueles que não tem parte na Terra, para os órfãos, os presos, as viúvas, os necessitados. Se apaixonaram por si mesmos, viraram Narcisos, encantados, apenas contemplando uma caracterísitca sua, e dessa forma se louva a Deus erguendo louvores, cantando alto, orando, enquanto nenhuma ação efetiva no mundo é feita. Que valor tem essas práticas? Na maioria das vezes penso que não passa de um elemento catártico, (onde os demônios pesoais são expulsos por meio das mãos levantadas que nada produzem para a mudança do mundo.) O destino desse tipo de igreja é o mesmo de Narciso; o de se afogar se contemplando


Penso que essa não é a proposta do reino. Vcs podem achar que eu seja repetitivo falando sempre a mesma coisa. Talvez um dos problemas da igreja evangélica seja saber em demasia o que se deve fazer, no entanto, não atravessar a ponte em direção a ação. Pensam muito parecidos com o idealismo alemão tão criticado por Marx.


Marx, nas primeiras páginas da ideologia alemã, faz uma caricatura do pensamento alemão de sua época. Ele afirma que esse idealismo acreditava que o homem se afogava simplesmente porque tinha a idéia de gravidade. Marx afirma que isso não faz sentido, e convoca os filósofos a não mais simplesmente fazerem uma crítica das idéias, mas partirem para uma ação frente ao mundo. Se o pensamento é como é, é porque a sociedade em que se vive determina isso. Não se trata portanto de uma mudança de consciencia, mas uma mudança da sociedade em que se vive. Diria Marx.


Penso que a mesma proposta Jesus fez aos fariseus de sua época. - Olha, vocês conhecem toda a lei e os profetas, no entanto vocês não agem de acordo com o que vocês sabem. Penso que Jesus poderia dizer como Marx disse. Olha, não se trata de mudar simplesmente de consciência, mas de atitude. No caso de Jesus com relação aos fariseus, trata-se de voltar à essência de Deus que é o amor. Não mais se preocupar apenas com a forma, mas voltar-se para a essência da prática que é aquela vinculada ao amor. Amor esse entendido sempre como uma prática visando o próximo.


Disse Jesus : "Nisso se resume toda a lei e os profetas: Amarás o Senhor teu Deus de todo o seu coração, de toda a tua força e de todo o teu entendimento, e ao próximo como a ti mesmo."